Imóveis da Favela do Metrô, no Maracanã, foram demolidos após desabaremÉrica Martin / Agência O Dia
A criança ficou presa nos escombros depois que um prédio desabou, na madrugada do dia 2 de fevereiro, após uma forte chuva atingir a região. De acordo com Beatriz, a menina ficou sabendo da morte da mãe ainda no hospital, poucos dias antes de ter alta.
“Contamos no hospital mesmo, poucos dias antes de sair, com acompanhamento e orientação da psicóloga. Ela chorou muito. Agora vamos tentar distrair um pouco a mente dela, levando para passear com os primos e primas”, afirmou.
Beatriz, que também teve a casa destruída e precisou deixar o local, disse que ainda é muito difícil pensar em tudo o que aconteceu. “Está sendo muito difícil, ainda é muito confuso passar por lá e ver que perdemos minha irmã e tudo que construímos. Toda hora vem a imagem daquela madrugada horrível”, lamentou.
De acordo com Beatriz, tanto ela como o cunhado – pai da menina e viúvo de Michele – até o momento, receberam apenas o benefício do aluguel social, no valor de R$ 400, mas a família ainda não tem qualquer tipo de posicionamento sobre moradia.
Embora tenham conseguido alugar kitnets, a família cobra respostas. “A prefeitura não se posiciona para nos dar uma moradia digna. Temos crianças pequenas. O valor de R$ 400 não dá nem para o aluguel. O centro habitacional tinha ido lá meses antes tirar fotos. Pediram nossos documentos… sabiam o risco e não nos alertaram em nenhum momento. Somos humanos”, desabafou.
Famílias cobram respostas
Tácito Simões, outro morador do local que desabou, contou que sua situação não é muito diferente da de Beatriz. Segundo ele, o auxílio de aluguel temporário foi pago poucos dias após a tragédia. “Fora isso, a gente não tem uma posição concreta da prefeitura se a gente vai ser realocado para o conjunto habitacional que está sendo construído na Visconde de Niterói ou não”, disse.
Para ele, que descreveu como “pior da vida” a sensação de olhar para trás e ver tudo destruído, resta a esperança de que promessas sejam cumpridas. “Tinha uns quatro meses, mais ou menos, que eu tinha trabalhado o ano todo e juntado dinheiro para comprar mobília nova, geladeira nova, tudo novo dentro de casa. Em questão de três segundos, eu vi tudo no chão e eu não tinha mais nada, até minhas roupas. Eu tentei recuperar algumas quando começou a limpeza do terreno, mas eles não tiveram o cuidado na hora de tirar os entulhos para ver se a gente conseguia recuperar algumas coisas. Eu só consegui recuperar umas cinco peças de roupa e a pasta de documento porque eu me enfiei em frente ao trator para pegar”, relatou.
“Está sendo bem difícil. O tempo todo você tem medo. Começa a chover e vem tudo na cabeça, você acha que a qualquer momento a casa pode desabar, mesmo sabendo que você não está mais naquele local. Ainda é bem traumatizante, bem difícil. A gente espera realmente que, quando esses prédios do Minha Casa Minha Vida, na Visconde de Niterói ficarem prontos, sejamos realocados para um apartamento lá. Que a gente não fique só na promessa de boca, que eles fizeram na TV. Espero que a Secretaria de Habitação volte, dê alguma certeza, dê alguma documentação dando certeza que a gente vai ser realocado para esses apartamentos quando ficarem prontos”, cobrou.
Procurada pela reportagem de O DIA, a Secretaria Municipal de Habitação não respondeu aos questionamentos da reportagem até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestações.







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