Show de Shakira em Copacabana acontecerá neste sábado (2)Reprodução / Instagram

Rio - Além de agitar os fãs, o show de Shakira, na praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, deve movimentar a economia da cidade em aproximadamente R$ 800 milhões. Com público estimado em 2 milhões de pessoas, o megaevento acontece neste sábado (2).
Estes dados fazem parte do estudo “Potenciais Impactos Econômicos do ‘Todo Mundo no Rio’ 2026 – Shakira”, apresentado pela Prefeitura do Rio nesta segunda-feira (27). O relatório foi elaborado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) e da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro – Riotur.
“O Todo Mundo no Rio se tornou uma data que atrai as pessoas para cidade, mesmo quem não vem para assistir ao show em Copacabana. A ocupação da cidade cresce nas semanas anteriores ao evento. As pessoas frequentam os restaurantes, ficam nos hotéis, compram no comércio da cidade”, afirmou o prefeito Eduardo Cavaliere.
Segundo o estudo, o show tem potencial de movimentar R$ 776,2 milhões na economia carioca, considerando os gastos do público.
Do público aguardado, a projeção é de que 13,9% sejam de turistas nacionais (278 mil), 1,6% de turistas internacionais (32 mil) e 84,6% de cariocas e moradores da Região Metropolitana (1,7 milhão). A estimativa segue a mesma distribuição observada em eventos anteriores, segundo o Observatório do Turismo Carioca (SMTUR-Rio)
O cálculo leva em conta o ticket médio de R$ 547,30 por dia para turistas brasileiros (com permanência de três dias), R$ 626,40 para estrangeiros (quatro dias) e R$ 141,75 para o público local.
“Copacabana oferece uma combinação rara no mundo: infraestrutura, paisagem icônica e a vivência de receber milhões de pessoas. Isso posiciona o Rio de forma estratégica no circuito internacional de grandes shows e amplia o interesse de turistas ao longo de todo o ano”, ressaltou o presidente da Riotur, Bernardo Fellows.
Além da movimentação interna, o megaevento também gera promoção internacional espontânea, assim como aconteceu nos shows de Madonna, em 2024, e Lady Gaga, no ano passado. Para 2026, a expectativa é de que a exposição internacional alcance cerca de US$ 250 milhões (aproximadamente R$ 1,3 bilhão, na cotação atual).
“O impacto econômico vai além do evento. Ele se traduz em aumento de arrecadação, geração de empregos e dinamização de cadeias produtivas estratégicas, com efeitos que se estendem ao longo do ano e por toda a economia da cidade”, destacou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima.
Turismo no mês de maio aumentou com shows internacionais
Segundo dados do SMTUR-Rio, no ano passado, houve aumento de 90,5% no número de turistas no mês de maio em comparação ao mesmo período em 2023, último ano sem o projeto Todo Mundo no Rio. Em 2024, o aumento foi de 34,2% – também em relação ao ano anterior.
Em maio de 2025, a cidade arrecadou R$ 66,8 milhões em impostos sobre serviços ligados ao turismo, eventos, transporte municipal, aeroporto/rodoviária e artistas. Na comparação com 2024, o aumento foi de 8,2%. Com 2023, 23,2%.
Palco de Shakira será o maior de todos
Neste ano, o palco que já supera os de Madonna e Lady Gaga ficará ainda maior. A estrutura, montada em frente ao hotel Copacabana Palace, foi ampliada para 1.500 metros quadrados. Neste ano, a Loba, como é conhecida pelos fãs, também estará mais perto do público, já que o palco contará com uma passarela de 25 metros. A estrutura ainda será equipada com 680 metros quadrados de telões de led.
Para ampliar a visão de quem for assistir ao show, o palco será montado com 2,20 metros de altura, em relação à areia. Ao longo da praia, também serão instaladas 16 torres com som e vídeo, com telões de 45 metros quadrados, para melhorar a experiência dos fãs que escolherem curtir a apresentação mais distante.
Cariocas e turistas que passam pela praia de Copacabana conseguem acompanhar a montagem grandiosa. Ao DIA, a operadora de caixa Nívea Nascimento, de 39 anos, falou sobre a expectativa para o evento. “Ela é uma diva. Gosto muito das músicas dela e ela sempre está valorizando o povo brasileiro. Estou ansiosa”.
Tragédia a poucos dias do evento paralisa a montagem
Na tarde deste domingo (26), um operário morreu durante a montagem do palco. Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, trabalhava como serralheiro no local. O trabalhador sofreu esmagamento das pernas em um sistema de elevação.
Antes da chegada do Corpo de Bombeiros, a vítima já havia sido retirada do equipamento por outros funcionários. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, mas não resistiu aos ferimentos.
Morador de Magé, na Baixada Fluminense, Gabriel deixa três filhos. Ainda não há informações sobre o local e horário do enterro. Antes de sair de casa, o serralheiro, que não iria trabalhar naquele dia, mas foi acionado de última hora, prometeu levar as crianças para brincar quando retornasse.
‘Acidente ou homicídio culposo’
A tragédia é investigada pela Polícia Civil, que realizou uma perícia no local, na manhã desta segunda-feira. No local, o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), responsável pelas investigações, destacou que o jovem sofreu uma morte trágica e se solidarizou com a família do operário.
“Pretendemos avançar no sentido de entender se houve um acidente ou homicídio culposo. Também tínhamos a ideia de um dolo eventual, só que pelo que percebi hoje, nessa análise preliminar, isso não aconteceu. Então vamos trabalhar com as duas possibilidades e concentrar os trabalhos no equipamento. A gente precisa apurar se houve negligência, imprudência, uma inobservância de um dever de cuidado que gerou um crime, ou seja, um homicídio culposo, embora não houvesse a intenção de matá-lo. Ou se houve uma situação de culpa exclusiva da vítima, ou seja, dele ter se colocado em risco e ter acontecido o óbito”, afirmou Lages.
O caso é investigado pela 12ª DP (Copacabana) como lesão corporal culposa provocada como acidente de trabalho. Por conta do trabalho dos policiais, a montagem do palco precisou ser paralisada.