Perícia no local onde o operário Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, faleceu durante a montagem do palco para o show da Shakira, na Praia de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, na tarde deste domingo (26). Érica Martin/Agência O Dia

Rio - O eletricista que acionou o elevador que provocou o acidente que matou o serralheiro Gabriel de Jesus Firmino, durante a montagem do palco do show da cantora Shakira, em Copacabana, deve responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A informação foi confirmada ao DIA pelo delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana).


Segundo o delegado, o funcionário confirmou em depoimento que acionou o equipamento a cerca de 25 metros de distância, sem visibilidade do serralheiro.

De acordo com a investigação, o eletricista operava o sistema a partir de um painel distante do local onde Gabriel realizava um trabalho de soldagem, o que teria impedido que percebesse a presença do colega na área de risco.

Além do eletricista, a Polícia Civil também investiga a possível responsabilização de outros envolvidos. Entre eles estão o dono da empresa Cenoart, responsável pela montagem dos equipamentos, que esperado para depor nesta quarta-feira (29) mas não compareceu, a engenheira que assinou o projeto e que não estaria presente no local, além de técnicos de segurança do trabalho.

Os depoimentos dessas pessoas ainda serão colhidos nos próximos dias. A investigação também conta com apoio do Ministério do Trabalho e Emprego, que avalia possíveis falhas nas normas de segurança.

O acidente ocorreu no domingo (26), quando Gabriel foi prensado entre estruturas metálicas após a movimentação do sistema de elevação instalado no palco do evento, na Praia de Copacabana

Gabriel foi levado em estado grave para o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, mas não resistiu aos ferimentos. A morte causou forte comoção entre familiares, amigos e outros profissionais que participavam da montagem.

Outro fator que aumentou a pressão sobre os responsáveis pelo evento foi a vistoria realizada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ). Após inspeção no local, o órgão informou que a empresa Cenoart não possui registro para exercer atividades de engenharia e também não teria responsável técnico legalmente habilitado para esse tipo de operação.

De acordo com o delegado, a perícia realizada no local será fundamental para esclarecer exatamente como o acidente aconteceu e se houve falha humana, negligência ou irregularidade técnica. A estimativa é de que o laudo fique pronto nas próximas semanas.

O laudo da perícia deve esclarecer as circunstâncias do acidente e apontar se houve negligência, imprudência ou imperícia na operação do sistema.

Gabriel morava em Magé, trabalhava como serralheiro e deixou esposa e três filhos pequenos. Segundo familiares, ele era o principal responsável pelo sustento da casa e costumava aceitar trabalhos extras, inclusive em fins de semana e feriados, para garantir melhores condições à família. Gabriel foi enterrado na terça-feira (28), em Magé.