Sepultamento do casal Ariane e Ygor ocorreu no Cemitério Jardim da Saudade de SulacapReginaldo Pimenta / Agência O Dia

Rio - "Justiça a gente sabe que não terá. O que tiraram da gente não vai voltar." O desabafo emocionante é de Taiane Tolentino, cunhada da biomédica Ariane Anselmo Cortes, de 31 anos, executada a tiros junto com o companheiro, Ygor Dante Santos, na comunidade Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste. O casal foi enterrado na tarde desta sexta-feira (1º) no Cemitério Jardim da Saudade de Sulacap.
Parentes e amigos do casal compareceram ao cemitério para prestar as suas últimas homenagens durante o velório, no fim da manhã desta terça. Vestidos de branco, os presentes pediram paz. Ariane estava grávida de seis meses e foi velada segurando o filho no colo, dois dias antes da data que revelaria o sexo para a família em um chá de bebê.
"A festa seria no domingo (3). Ela iria comemorar o aniversário dela e revelar o sexo do bebê. É uma tristeza e crueldade. O menino está na mão dela, todo formado. Infelizmente, descobrimos antes e vamos revelar aqui, hoje. Soltaremos a fumaça em homenagem a ela e viemos de branco para pedir paz. Agora é se despedir e carregar essa dor. O que tiraram da gente não vai voltar", disse Taiane.
Segundo a cunhada, o principal objetivo da família é destacar que o casal não tinha envolvimento com crime organizado. Uma das hipóteses apuradas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) indica que Ygor e Ariane foram confundidos por traficantes com milicianos.
"Ariane sempre foi trabalhadora e sempre estudou. Era muito esforçada. Inclusive, se formou em dezembro em Biomedicina. Com muita dificuldade, conseguiu se formar e estava fazendo estágio. Mesmo grávida, ela não tinha deixado para trás o estágio. Igor era formado em Logística, saía de casa às 4h e voltava às 17h. Era de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Sempre a mesma coisa. A vida deles era isso. Só não queremos que eles partam com essa imagem que ele era miliciano, que eles deviam. Justiça a gente sabe que não terá. Só queremos que tirem essas imagens deles e que eles se partam como pessoas dignas", completou.
Jane Santos, mãe de Ygor, comentou que o filho era uma pessoa que sempre tentava ajudar as pessoas e gostava de agradar os parentes. "Ele sempre foi disposto a ajudar. Curtia com os sobrinhos, saía e levava para passear junto com a Ariane e o filho dela", contou.
Denivan da Silva, padrasto do homem, contou que entrou para a família quando Ygor ainda era criança. "Ele era um garoto tímido, sempre no cantinho dele, mas uma ótima pessoa. Eu tive o privilégio dele trabalhar comigo em uma época", ressaltou.
De acordo com familiares, Ygor e Ariane estavam no Terreirão, na última quarta-feira (29), para buscar uma encomenda para o chá revelação do bebê que esperavam. O casal morava em Vargem Grande, também na Zona Sudoeste.
Testemunhas relataram que homens armados chegaram em uma motocicleta vermelha e efetuaram diversos disparos contra o casal, fugindo em seguida. Ygor morreu no local. Ariane chegou a ser socorrida e levada ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, mas não resistiu. Médicos conseguiram fazer uma cirurgia de emergência e retirar o bebê da barriga da mulher, mas ele foi baleada na cabeça e veio à óbito.
O caso segue sendo investigado pela DHC.
*Colaboração Reginaldo Pimenta