Velório da vereadora Luciana Novaes acontece na Câmara Municipal do RioÉrica Martin / Agência O Dia

Rio - Familiares, amigos e admiradores da vereadora Luciana Novaes (PT) dão o último adeus à parlamentar, nesta segunda-feira (4). O velório é aberto ao público e acontece na Câmara Municipal do Rio, no Centro, até as 14h. Após a cerimônia, o cortejo seguirá para o Cemitério São Francisco Xavier, no Caju.
Ao DIA, Jorgiane Novaes, irmã de Luciana, afirmou que a família pretende seguir com o legado deixado pela ativista PCD. “A Luciana, em 2003, tinha 1% de chance de sobreviver. Deus transformou esse 1% em 99%. Em vida, ela fez tudo o que pôde em prol de outras pessoas. Ela dizia que Deus permitiu que ela continuasse viva porque tinha uma missão a cumprir. E ela cumpriu essa missão com um legado lindo que nós não vamos deixar acabar. Nós vamos lutar pela luta da Luciana”, disse emocionada.

A cerimônia de despedida conta ainda com um coral, que entoa sucessos como “Canção da América”, de Milton Nascimento; “Anjos (Pra quem tem fé)”, de O Rappa; e mais.
Representante da Frente Nacional de Mulheres com Deficiência, a assistente social Luiza Zwang, de 60 anos, celebrou o legado e a história da vereadora. “Para mim, a Luciana representa resiliência, a fênix. Para nós, pessoas com deficiência, isso não tem preço. É uma perda imensurável, vai deixar uma lacuna que não vai se fechar. Mas a gente tem certeza que esse legado não vai parar porque esse é o propósito da Luciana”, afirmou.
Diversas autoridades deram o último adeus à parlamentar. Os vereadores Carlo Caiado (PSD) – presidente da Câmara –, Maíra do MST (PT), Tainá de Paula (PT), Felipe Pires (PT), Monica Benicio (PSOL), Rafael Satiê (PL), Deangelo Persi (PSD), Márcio Ribeiro (PSD),  Rosa Fernandes (PSD) e Flávio Valle (PSD), além do deputado federal Reimont (PT) e a deputada estadual Elika Takimoto (PT), são alguns dos que já passaram pelo velório.
Carlo Caiado celebrou a amizade que tinha com Luciana e também exaltou seu legado. "A Luciana era uma pessoa incrível. A gente tinha uma relação muito próxima. Ela sempre era vibrante nas ações da cidade e deixa um legado muito grande de superação e de referência das pessoas com deficiência. Era uma amiga de todos os servidores. Ela nunca teve limitação alguma, pelo contrário, estava de cabeça erguida o tempo todo, demonstrando que a vida é muito forte e tem que viver sempre feliz. A gente sente muito, mas ela deixa um legado muito grande e sempre estará nos nossos pensamentos aqui na Câmara", disse.
Amigo de Luciana, o ex-presidente da Suderj Renato de Paula falou sobre a importância da vereadora para a política, principalmente para as causas PCD. “Ela ensinou a nós, pessoas com e sem deficiência, que todo o lugar é permitido, inclusive no lugar de poder. A Luciana foi eleita democraticamente pelo povo, não por ser uma pessoa com deficiência, mas pela luta pelas pessoas com deficiência. Isso é um legado para sempre para nossa cidade”, disse.
A pedido da família, o vereador Deangeles Percy, que também é pastor, fez um discurso em homenagem à Luciana. Em seguida, Carlo Caiado discursou. Os deputados Reimont, Elika Takimoto e a vedreadora Rosa Fernandes também falaram.

A vereadora Luciana Novaes entrou em protocolo de morte encefálica em 27 de abril. Na última quarta-feira (29), a família anunciou que a vereadora teria os órgãos doados. Segundo comunicado divulgado, a parlamentar manifestava em vida o desejo de ser doadora.

Quem foi Luciana Novaes

Luciana Novaes ganhou notoriedade pública em 2003, quando foi atingida por uma bala perdida dentro da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, onde cursava Enfermagem. O disparo a deixou tetraplégica e dependente de ventilação mecânica.

Após anos de recuperação e reabilitação, retomou os estudos, formou-se em Serviço Social e concluiu pós-graduação em Gestão Pública. A experiência marcada pela violência urbana transformou-se em atuação política voltada à defesa da inclusão, acessibilidade e direitos das pessoas com deficiência.

Em 2016, tornou-se a primeira pessoa tetraplégica eleita para a Câmara Municipal do Rio. Durante os mandatos, apresentou projetos relacionados à mobilidade urbana acessível, atendimento especializado, proteção de pessoas vulneráveis e ampliação de direitos sociais.

Mesmo enfrentando problemas de saúde nos últimos meses, Luciana seguia acompanhando as atividades parlamentares e mantinha participação nas pautas do Legislativo carioca.