Familiares e amigos de Thamires Peixoto, de 28 anos, durante o velório no Cemitério do Irajá, Zona Norte do Rio Érica Martin/Agência O Dia

Rio -  Thamires Rodrigues de Souza Peixoto, de 28 anos, planejava com entusiasmo a festa de aniversário da filha mais nova, mas foi morta de forma brutal três dias antes de ver a comemoração acontecer. A menina completou 4 anos neste sábado (9), mesmo dia em que a mãe foi sepultada no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio.
Thamires morreu após ser baleada pelo policial civil Frede Uilson Souza de Jesus durante uma confusão no trânsito ocorrida na quinta-feira (7), no bairro do Pechincha, na Zona Oeste. Ela estava no banco traseiro de um carro de aplicativo quando o agressor iniciou uma discussão por causa de uma manobra na Rua Professor Henrique Costa. O agente está preso.

Mesmo em meio à dor e ao sentimento de revolta, familiares e amigos decidiram reunir forças para realizar um dos últimos desejos de Thamires, que era comemorar o aniversário da filha. A melhor amiga da vítima, Thaynara Costa, de 29 anos, contou que o síndico do condomínio onde a festa seria realizada cedeu o espaço para que a celebração acontecesse de forma mais simples no domingo (10).

"Thamires estava com muita expectativa e nós já havíamos comprado os presentes. Assim que souberam da notícia, o síndico do condomínio cedeu o espaço. Vamos manter a festinha pela criança, que está muito animada", afirmou.

Além da aniversariante, Thamires deixa outra filha, de 6 anos. Para tentar explicar a ausência da mãe na festa e também no Dia das Mães, a família disse às crianças que Thamires "virou uma estrelinha".

"A gente explicou da forma que conseguimos. Dissemos que a mãe havia virado uma estrelinha e que estava dormindo. Será o primeiro Dia das Mães sem a mãe, mas as crianças têm uma rede de apoio muito forte. Com o tempo, elas vão conseguir digerir tudo isso", disse Thaynara.
Briga de trânsito e prisão de policial 
O motorista do aplicativo ainda levou Thamires até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade de Deus, mas ela não resistiu aos ferimentos.
Thaynara relatou que, segundo o motorista de aplicativo, ele sequer abriu o vidro do carro para discutir com o policial. "As imagens mostram que o motorista não abriu o vidro. Ele foi crucial para o socorro. Disse que nem ele entende o que aconteceu, porque não respondeu nem discutiu. Só percebeu o disparo pelo barulho, quando arrancou com o carro. Foi nesse momento que Thamires avisou que havia sido atingida", contou.

A Polícia Civil prendeu Frede Uilson Souza de Jesus na noite de sexta (8). Após a prisão, a Corregedoria da Polícia Civil informou que afastou o agente das atividades e abriu um procedimento interno para apurar a conduta.