Poze do Rodo foi preso durante operação da Polícia Federal Reprodução/Redes sociais
Com a decisão, a prisão preventiva do artista foi revogada mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre as determinações impostas pela Justiça estão o comparecimento mensal em juízo, a proibição de deixar a cidade de residência por mais de cinco dias sem autorização judicial e a entrega do passaporte. A magistrada determinou ainda a expedição de alvará de soltura em favor do funkeiro.
A defesa do artista comemorou a decisão. O advogado Fernando Henrique Cardoso Neves afirmou que o pedido de extensão da ordem concedida a outro investigado foi aceito pela Corte.
“Nosso pedido de extensão foi aceito. Esperamos em breve poder retirar nosso cliente, Marlon Brandon, deste aprisionamento desnecessário e ilegal”, declarou.
Entendimento da Justiça
Na decisão, a juíza adotou os fundamentos apresentados pelos desembargadores federais Paulo Fontes e Ali Mazloum em julgamento realizado pela 5ª Turma do TRF-3 em outro habeas corpus relacionado à mesma investigação.
O entendimento da Corte foi de que não havia elementos suficientes para justificar a manutenção da prisão preventiva diante da ausência de denúncia formal apresentada pelo Ministério Público Federal até o momento.
Os magistrados destacaram que a prisão preventiva exige não apenas indícios de autoria e materialidade, mas também a comprovação concreta de risco causado pela liberdade do investigado. Segundo a decisão, a prisão cautelar não pode ser utilizada como forma de antecipação de pena nem como instrumento para facilitar investigações.
Outro ponto destacado foi o excesso de prazo para a conclusão do inquérito e para o oferecimento da denúncia. O TRF-3 observou que, apesar da complexidade do caso, o Ministério Público Federal ainda não formalizou acusação contra os investigados.
A decisão também ressalta que medidas cautelares diversas da prisão seriam suficientes neste momento processual, preservando os princípios constitucionais da presunção de inocência e do devido processo legal.
Operação Narco Fluxo e investigações
MC Poze do Rodo foi preso no dia 15 de abril durante a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal para investigar uma suposta organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro, evasão de divisas e movimentação financeira ilícita por meio de empresas, criptoativos e plataformas ligadas a apostas ilegais e rifas clandestinas.
As investigações apontam que o grupo teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão em operações consideradas suspeitas. Segundo a PF, a organização utilizaria empresas de fachada, contas de passagem, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos para ocultar recursos ilícitos.
O cantor MC Ryan SP aparece nas investigações como suposto líder e principal beneficiário econômico da estrutura investigada. Já MC Poze do Rodo é citado pela Polícia Federal como alguém que teria se vinculado a empresas utilizadas para auxiliar na circulação dos recursos apurados.
Outro nome mencionado no inquérito é Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, apontado pela PF como operador de mídia do grupo, recebendo valores para divulgar conteúdos favoráveis aos artistas ligados ao esquema.
Durante a operação, a PF cumpriu mandados em diversos estados e apreendeu veículos de luxo, dinheiro, armas, relógios, documentos e equipamentos eletrônicos. As investigações seguem em andamento e os envolvidos poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa.

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