Agentes da Decon cumprem nove mandados de busca e apreensãoReprodução

Rio - A Polícia Civil realizou, na manhã desta segunda-feira (18), uma operação para desarticular um esquema de fraudes em pacotes de viagens internacionais. Entre os alvos estavam envolvidos com a empresa Outsider Tours, vinculada ao empresário Fernando Sampaio de Souza e Silva, acusado de estelionato.
A Operação Cartão Vermelho cumpriu nove mandados de busca e apreensão no Centro do Rio; na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste; no Leblon, na Zona Sul; e na Ilha do Governador, na Zona Norte. A ação acabou com a apreensão de ingressos, três notebooks, um celular e documentos diversos.
As investigações da Delegacia do Consumidor (Decon) apontaram que os investigados comercializavam pacotes turísticos com passagens aéreas, hospedagens e ingressos para partidas de futebol no exterior. Contudo, não entregavam os serviços contratados pelas vítimas.
Diversos consumidores procuraram a especializada, assim como outras delegacias, para denunciar os golpes. Segundo os relatos, depois de realizarem os pagamentos, as vítimas não recebiam os benefícios prometidos ou enfrentavam problemas relacionados às viagens adquiridas.
"A Decon solicita que todas as vítimas procurem delegacias da Polícia Civil para apresentarem seus relatos. É importante que tenham cautela quando forem adquirir pacotes de viagem. Sempre busquem a reputação da empresa", disse o delegado Wellington Vieira, titular da Decon.
Um dos alvos da ação desta segunda foi o empresário Fernando Sampaio de Souza e Silva, dono da Outsider. Ele foi denunciado pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) por estelionato, em janeiro deste ano, junto com a mulher, Letícia Coppi, e com Armando Raymundo Neto, sócio da empresa Turisport Turismo, que ficou em silêncio durante depoimento nesta segunda.
O MPRJ afirmou que o trio induziu um cliente ao erro, descumprindo promessas. De acordo com o órgão, houve intenção de enriquecimento ilícito desde o início, causando um prejuízo estimado em mais de R$ 76 mil para a vítima, que havia comprado três pacotes distintos para as finais da Liga dos Campeões da Europa de 2024 e 2025, além de uma viagem para Israel. A denúncia indicou que os ingressos, passagens de avião e hospedagem não foram entregues.
Fernando chegou a ser preso, também em janeiro, pela Polícia Civil de Santa Catarina em um prédio de luxo, em Balneário Camboriú, cidade turística do litoral catarinense. Ele responde o processo em liberdade desde abril, quando o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) concedeu habeas corpus, reconhecendo a ausência de contemporaneidade e de necessidade da medida extrema no caso concreto.
A defesa de Fernando disse que, como justificativa para soltura, o juízo considerou o encerramento definitivo das atividades empresariais relacionadas aos fatos investigados. A Decon recebeu uma denúncia anônima de que a Outsider continuaria funcionando e apura a informação.
A Decon ainda informou que o empresário responde a 600 processos espalhados por diversas unidades federativas.
O que diz a defesa?
Ao DIA, a defesa de Fernando, composta pelos advogados Felipe Raúl Haas e Fernando Martins Xavier de Almeida, destacou que que recebeu com serenidade as medidas recentemente cumpridas no âmbito da Operação Cartão Vermelho.
"Desde o primeiro momento, Fernando colocou-se integralmente à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários, reafirmando seu compromisso com a legalidade, com a transparência empresarial e com o devido funcionamento das instituições", diz a nota.
A defesa ressaltou que, até o momento, não há qualquer decisão judicial condenatória e reconhecimento formal de responsabilidade penal. A investigação encontra-se em fase inicial e os advogados consideram indispensável cautela na divulgação de informações e absoluto respeito às garantias constitucionais da presunção de inocência, do contraditório e da ampla defesa.
"A defesa ressalta ainda que não compactua com prejulgamentos ou conclusões antecipadas baseadas exclusivamente em narrativas investigativas unilaterais, sobretudo em procedimentos ainda em curso e sob sigilo parcial. Após análise integral dos autos e dos elementos efetivamente produzidos na investigação, a defesa adotará todas as medidas jurídicas cabíveis para o completo esclarecimento dos fatos e para a preservação dos direitos e da imagem de Fernando Sampaio", finalizaram os advogados.