Felipe Marques foi baleado em março de 2025 em operação na Vila AliançaReprodução/Redes sociais

Rio - "Um guerreiro do início ao fim. Seu legado jamais será esquecido." Assim Keidna Marques se despediu do marido, o piloto de helicóptero da Polícia Civil, Felipe Monteiro Marques, de 46 anos. O comandante da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), baleado na cabeça em uma operação na Vila Aliança, Zona Oeste do Rio, em março de 2025, morreu neste domingo (17).
Durante o período de recuperação, Monteiro foi submetido a várias cirurgias, fisioterapia para reabilitação e colocação de uma prótese craniana. No início de maio, após um procedimento de emergência, os médicos identificaram novas áreas com sangramento no crânio. O piloto contraiu uma infecção e não conseguiu se recuperar. Em uma postagem nas redes sociais, Keidna destacou a luta do companheiro pela vida.
"Hoje [domingo], nos despedimos com dor, mas também com gratidão por toda força, amor e exemplo que deixou em nossas vidas. Seu legado jamais será esquecido", disse na postagem.
Kênia Aquino, cunhada de Felipe, também usou as redes sociais para se despedir. "Você levou consigo uma parte das nossas risadas, mas deixou comigo memórias que vou guardar para sempre. Obrigada, cunhado, por me trazer essa energia cômica, pelas brincadeiras, pelas risadas e pelos momentos leves que fizeram a vida mais leve. A saudade será eterna", escreveu.
Felipe morreu no dia do aniversário do sobrinho, João Pedro. O jovem lembrou que o tio sempre esteve ao seu lado, cuidando dele, o aconselhando e participando de momentos importantes. 
"É difícil aceitar sua partida porque uma pessoa tão especial deixa um vazio enorme. Eu vou guardar para sempre cada lembrança, cada conversa, cada abraço e todo o carinho que você me deu. Obrigado por tudo que você fez por mim, por nunca me abandonar e por ser essa pessoa incrível, que marcou minha vida para sempre. Sua ausência dói muito, mas o amor e as memórias que deixou jamais serão esquecidos. Descanse em paz, tio. Você sempre vai viver no meu coração e eu nunca vou esquecer tudo que significou para mim. Te amo pra sempre", comentou.
A Core definiu o piloto como um profissional exemplar, homem de honra e companheiro leal, que dedicou a vida para proteger e salvar. 
"Há mais de um ano, no cumprimento do dever, uma missão mudou para sempre sua história. Desde então, Felipe enfrentou uma batalha silenciosa, diária e intensa, marcada pela dor, mas também pela coragem, pela fé e pela resiliência que sempre definiram quem ele era. Jamais esteve sozinho. Ao seu lado, permaneceram sua família, seus amigos e seus irmãos da Core. Seguimos com sua memória viva em cada missão, em cada ensinamento e em cada vida que ele tocou. Esse legado é eterno", diz o texto.
Ainda não há informações sobre o enterro do policial.
Relembre o caso
Felipe atuava como comandante e copiloto de um helicóptero da Polícia Civil quando foi baleado por um tiro de fuzil, durante uma operação nas comunidades Vila Aliança e Vila Kennedy, na Zona Oeste, no dia 20 de março de 2025. Mesmo ferido, Marques conseguiu manter o controle e fazer um pouso de emergência.
O policial foi socorrido em estado gravíssimo, encaminhado para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Zona Sul, e depois transferido ao Hospital São Lucas, em Copacabana. O disparo entrou pela testa, fez com que o comandante perdesse 40% do crânio e passasse a usar uma prótese craniana. O agente também ficou com o lado esquerdo do corpo comprometido e perdeu parte da coordenação muscular da fala.
O piloto sofreu um sangramento cerebral depois de uma cirurgia de emergência no início desse mês de maio. Após o procedimento, médicos identificaram um coágulo em um dos ventrículos do cérebro, o que levou a novas intervenções. Na última sexta-feira (15), Keidna anunciou que o marido contraiu infecção no corpo.