Jornalista Renato Machado foi velado na capela 8 do Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, Zona NorteReginaldo Pimenta / Agência O DIA
"O Renato sempre vai ser uma pessoa muito divertida. O Renato tinha um humor muito especial, porque ele era uma pessoa muito culta, estava sempre brincando, sempre fazendo uma piada... E o humor de uma pessoa inteligente é um humor especial. Então, todo o tempo que a gente teve junto foi um tempo de aprendizado e eu só tenho a agradecer", afirmou a ex-apresentadora.
Pouco tempo antes do falecimento, inclusive, os amigos tinham marcado um reencontro que não pôde acontecer. "Porque eu me despedi do jornalismo diário semana passada e nos falamos por mensagem. E ele tinha sido internado. E aí, a gente combinou [de almoçar], ele estava em casa já. [...] O combinado era quando ele melhorasse, a gente ia almoçar junto de novo. Quem sabe a gente almoça lá em cima?".
A jornalista também contou quais os aprendizados o ícone do telejornalismo deixou para os profissionais que estão trilhando os primeiros passos na carreira. "Acho que o ensinamento é: "Leia, leia, leia, estude, aprenda, se interesse'. Renato era uma pessoa muito atenta, muito culta. Então, eu acho que não dá para você ser jornalista sem ter interesse na vida, na cultura. E acho que isso ali mostrou a vida inteira que tinha", concluiu ela.
Antes de entrar no jornalismo, trabalhou como ator, dublador e integrou o Teatro Oficina. Em 1967, mudou-se para Londres após ser aprovado em um concurso da BBC, onde atuou no rádio.
De volta ao Brasil, ingressou no "Jornal do Brasil" como tradutor. Depois, tornou-se repórter e editor de Internacional, com destaque para a cobertura de política externa e assuntos internacionais.
Convidado por Armando Nogueira, chegou à TV Globo em 1982. Um de seus primeiros trabalhos na emissora foi a cobertura da Guerra das Malvinas. A experiência em temas internacionais e a fluência em inglês e francês ajudaram a consolidar seu espaço no canal.
No ano seguinte, assumiu o posto de correspondente em Londres, onde permaneceu até 1988. Da Europa, acompanhou acontecimentos como o desastre nuclear de Chernobyl, os atentados terroristas em Paris, as celebrações pelos 40 anos do Dia D e o crescimento de Ayrton Senna na Fórmula 1.
Durante a cobertura dos atentados em Paris, em 1986, Renato chegou a ser detido pela polícia francesa ao lado do repórter cinematográfico Paulo Pimentel. A equipe filmava a área externa de um presídio onde estaria um suspeito dos ataques quando foi abordada por um agente.
"Era um edifício grande, que tomava todo o quarteirão. Percorremos a avenida filmando, de dentro do carro, e um guarda achou que nossa movimentação era estranha. Evidentemente, parou o carro e nos prendeu. Foi a minha prisão mais longa. O guarda nos levou a uma guarita em alguma altura da murada e, assim como nas outras vezes, retirou a fita da câmera e confiscou nossos passaportes", relembrou ao Memória Globo.
Renato também realizou reportagens na América Central durante conflitos armados na região e entrevistou Daniel Ortega. Ao longo da carreira, enfrentou situações de risco em coberturas de guerras e crises políticas.
De volta ao Brasil, em 1988, passou a trabalhar como repórter especial. Participou da cobertura da redemocratização do Chile, das eleições presidenciais de 1989 e da queda do ditador Alfredo Stroessner, no Paraguai. Na ocasião, revelou que o Brasil concederia asilo político ao ex-presidente paraguaio.
Renato também viveu um momento de tensão durante uma reportagem para o "Globo Repórter", ao voar em um caça da Força Aérea Brasileira.
Em 1990, deixou a Globo e seguiu para a TV Manchete, onde cobriu a Guerra do Golfo. Retornou à emissora carioca no ano seguinte e participou de coberturas, como o impeachment do ex-presidente Fernando Collor e a morte do piloto Ayrton Senna.
Em 1996, assumiu a bancada e a função de editor-chefe do "Bom Dia Brasil". Nos 15 anos em que esteve no programa, ajudou a adotar um formato mais dinâmico, com maior interação entre os apresentadores, entradas ao vivo e presença de comentaristas.
Em setembro de 2011, voltou a Londres como correspondente internacional. No período, acompanhou a crise econômica europeia e os ataques ao jornal francês "Charlie Hebdo", em 2015.
Renato passou o posto para a jornalista Cecília Malan em janeiro de 2016 e retornou ao Rio. Como repórter especial do "Globo Repórter", assinou trabalhos como "A arte como passaporte", sobre projetos de música e dança capazes de transformar a realidade de famílias de baixa renda. A edição recebeu indicação ao Emmy Internacional na categoria atualidade.
Além do telejornalismo, Renato também construiu uma trajetória ligada ao universo dos vinhos. Entre 2004 e 2009, apresentou o "Menu Confiança", do GNT, ao lado do chef Claude Troisgros. Enquanto o francês preparava os pratos, o jornalista escolhia as bebidas e explicava as harmonizações.
O jornalista também comandou a série documental "Reserva Especial", na qual percorreu regiões produtoras da França, como Champagne, Bordeaux, Borgonha e Provença. Em 2014, apresentou no "Jornal Hoje" uma série de reportagens sobre a relação entre a bebida, a gastronomia, a cultura e as características naturais do sul francês.
Após deixar a TV Globo, em 2021, passou a dedicar mais tempo ao tema. Gravou o documentário "Uma semana na Provence", exibido pelo canal Sabor & Arte, lançou um curso on-line sobre vinhos franceses e manteve nas redes sociais conteúdos sobre viagens, visitas a vinícolas e curiosidades sobre a bebida.







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