Túmulo de Emílio Garrastazu Médici ainda apresenta leves marcas da pichaçãoCarlos Elias Junior / Agência O Dia

Rio - O túmulo do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, que havia sido pichado com os dizeres "ditadura nunca mais", já foi limpo. A reportagem do DIA esteve, nesta segunda-feira (10), no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul, e encontrou a sepultura com leves marcas vermelhas - cor da tinta utilizada no vandalismo.

Na última sexta-feira (7), o perfil Necrotour RJ, idealizado pela professora e guia de turismo Samantha Lobo, divulgou fotos da pichação nas redes sociais. A página, que tem mais de 50 mil seguidores, reúne pessoas para visitas guiadas em cemitérios da cidade.
"Durante visita ao cemitério, me deparei com essa cena no túmulo do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici: 'Ditadura Nunca Mais'. Mais do que uma frase, um lembrete de que a história continua sendo discutida - até entre os túmulos", diz a postagem.
No último sábado (8), o criador de conteúdo Welson Rocha - que tem uma página para divulgar pesquisas e homenagens póstumas a personagens que contribuíram com a história do país - esteve no cemitério e disse que funcionários limparam o túmulo.
"Infelizmente, uma alma sebosa veio aqui e pichou o túmulo. Espero que essa pessoa nunca mais pise aqui e tenha consciência que aqui é um campo santo. Existe uma família que chorou por ele, uma família que ama ele, o túmulo merece ser respeitado. Quando entrar no São João Batista ou em qualquer outro cemitério, tenha essa consciência. Jamais repita o que você fez. Uma grande falta de respeito. É uma situação, sinceramente, muito absurda", discursou.
O estabelecimento registra diversos túmulos de famosos, como, por exemplo: Carmem Miranda, Santos Dumont, Cazuza, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Nilton Santos e Chacrinha. Também estão enterrados outros ex-presidentes, como Floriano Peixoto e Café Filho.
Violar ou profanar sepultura ou urna funerária é crime previsto no artigo 210 do Código Penal. A pena varia de um a três anos de prisão, além de multa.
O DIA enviou dois e-mails à concessionária RioPax, no último sábado (8), e outros dois, às 10h50 desta segunda, pedindo um posicionamento, mas ainda não recebeu retorno. O espaço está aberto para uma eventual manifestação.
A reportagem também entrou em contato com a Polícia Civil, em e-mail enviado às 10h58, perguntando se houve algum registro do caso e também não recebeu resposta até o momento. O espaço segue aberto.
Quem foi Médici?
Emílio Garrastazu Médici, que morreu em outubro de 1985 aos 79 anos, foi presidente do Brasil durante a ditadura militar. Depois de um longo período nas Forças Armadas, foi nomeado, em 1960, o subcomandante da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Um ano depois, recebeu promoção para general-de-brigada.
Fez parte do golpe militar de 1964. Em outubro de 1969, após o então presidente Costa e Silva adoecer, foi indicado pelo Alto Comando das Forças Armadas para assumir a presidência.
Seu governo foi marcado pelo crescimento da repressão política - época de maior número de torturas e mortes, período conhecido como "Anos de Chumbo" - e da censura aos meios de comunicação.
Durante o mandato, houve o período conhecido como "milagre econômico", com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e aumento do poder de consumo da classe média. Contudo, a maioria da população tinha o salário real diminuído, o que gerou o crescimento da desigualdade da distribuição de renda.
Em 15 de março de 1974, transferiu o cargo para o general Geisel.