Enterro de sargento da Marinha foi marcado por homenagens de marinheirosReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Familiares e amigos se despedem de militar morto em ataque a oficina
Sepultamento de Yuri Cardoso Dias Barreto, sargento da Marinha, aconteceu no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na Zona Norte
Rio - Familiares e amigos se despediram, na tarde deste sábado (29), do sargento da Marinha Yuri Cardoso Dias Barreto, de 38 anos, que morreu baleado no ataque a uma oficina de motos, em Nilópolis, na Baixada Fluminense. O sepultamento aconteceu no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na Zona Norte.
A cerimônia contou com centenas de presentes e homenagens realizadas por marinheiros. Um amigo, que preferiu não se identificar, contou que Yuri era uma pessoa apaixonada pela família, pelo emprego e pelo Vasco da Gama.
"Um exímio ser humano, um ótimo pai, trabalhador, um cara que batalhava muito para conquistar as coisas dele, batalhava pela família e pelos amigos, ótimo marinheiro. É uma perda muito grande, era muito novo. Certeza que os filhos, a esposa e a família estão bem encaminhados. Tudo vai dar certo", comentou.
Nas redes sociais, o lutador Anderson Almeida - responsável pela academia de jiu-jitsu onde o marinheiro treinava - lamentou a perda do amigo.
"Foram mais de 20 anos de amizade verdadeira, lealdade e parceria dentro e fora dos tatames. Yuri não foi apenas um grande atleta, mas um homem de caráter raro, que tocava a vida com intensidade, amor e generosidade. Que Deus, em Sua infinita bondade, o receba em um bom lugar, rodeado de paz e luz. Ficam as lembranças, os ensinamentos, os sorrisos e a saudade eterna. Sem palavras para tanta tristeza. Descanse em paz, Gordão", escreveu.
A Marinha do Brasil emitiu uma nota de pesar se solidarizando com os familiares do 2º sargento e afirmou que disponibilizou uma equipe de profissionais para prestar assistência social, psicológica e religiosa. "A apuração das circunstâncias da morte está em curso pelas autoridades policiais competentes."
A Diocese de Nova Iguaçu, por meio do bispo Dom Gilson Andrade da Silva, lamentou a violência que atinge a região e também prestou solidariedade à família. A mulher de Yuri é agente da Pastoral da Comunicação da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Nilópolis.
"Não podemos nos acostumar com a morte e nem naturalizar a violência. Cada vida perdida é uma família ferida e uma história interrompida. Como Igreja Católica na Baixada Fluminense, reafirmamos nosso compromisso com a defesa da vida e conclamamos as autoridades e a sociedade a unirem esforços para enfrentar a violência e construir uma cidade onde a vida seja respeitada e ninguém precise ter medo de voltar para casa", diz a postagem publicada nas redes sociais.
Além da mulher, o militar deixou dois filhos.
Relembre o caso
O crime aconteceu em uma oficina de motos na Avenida Roberto Silveira, no bairro Olinda, na frente da estação de trem, na última quinta-feira (27).
Testemunhas relataram que criminosos, armados com fuzis, passaram em um carro e atiraram diversas vezes na direção de pessoas que estavam na porta do estabelecimento. Yuri teria ido ao local porque sua moto apresentava uma falha. O militar aguardava a análise de um funcionário quando foi baleado. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu ainda na oficina.
Além do sargento, um outro homem veio a óbito. Antônio José Torres Guimarães chegou a ser socorrido e levado para uma unidade de saúde, mas também não resistiu.
Outras quatro pessoas ficaram feridas, incluindo o dono do estabelecimento, Raphael Andrade Souza, de 35 anos. Ele deu entrada no Hospital Municipal Juscelino Kubitschek, em Nilópolis, e recebeu alta nesta sexta-feira (28).
O Hospital Geral de Nova Iguaçu recebeu duas vítimas. Bruna Kelly Barbosa de Lima, 23, foi baleada na coxa direita, passou por atendimento médico e teve alta, com orientação para seguir com o acompanhamento ambulatorial.
Já Wellington do Nascimento Mello, 40, foi vítima de múltiplos disparos e passou por cirurgia de emergência. Ele permanece internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI), sob vigilância intensiva. O estado de saúde é gravíssimo, conforme informado pela prefeitura na tarde deste sábado (29). Não há previsão de alta.
Ainda não há informações sobre identidade e estado de saúde do quarto ferido.
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investiga o caso. Segundo a Polícia Civil, a perícia foi realizada, testemunhas estão sendo ouvidas e outras diligências estão em andamento para identificar a autoria e esclarecer as circunstâncias do crime.
*Colaboração de Reginaldo Pimenta



















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