Tráfico usa drone para monitorar policiais e facção rival em Duque de CaxiasDivulgação PMRJ

Rio - Um homem de 22 anos foi preso em flagrante nesta segunda-feira (31) enquanto usava um drone para espionar policiais e monitorar a movimentação de uma facção rival no bairro Pantanal, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Julio Luan da Silva Martins operava o equipamento na Rua Maria Fernandes, ponto crítico de disputas entre o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Comando Vermelho (CV).
Segundo a PM, agentes do 15º BPM (Duque de Caxias) identificaram Julio operando o aparelho durante diligências na região. Na abordagem, ele informou que prestava o serviço para Leandro Santos Sabino, o "Flamengo", apontado pela corporação como uma das lideranças do TCP.

Em depoimento, Julio confessou que era o responsável por vigiar a movimentação das viaturas e monitorar os passos da facção rival por causa da guerra pelo território. Ele revelou que recebia R$ 1,2 mil por semana para realizar a função. Em um dos registros capturados pelo drone, o equipamento aparece se aproximando de duas viaturas policiais estacionadas na rua.


Disputa territorial
O Pantanal enfrenta um cenário de instabilidade provocado pela disputa entre o TCP e o CV pelo controle territorial e do tráfico de drogas. De acordo com a Polícia Militar, o uso do equipamento permitia aos criminosos obter informações em tempo real sobre a presença de agentes e de rivais, antecipando possíveis operações ou confrontos.

O uso de drones por criminosos tem se tornado uma preocupação constante para as forças de segurança, principalmente em áreas de conflito entre facções. Em entrevista ao jornal O DIA, o capitão da PM Marcelo Gomes destacou que o recurso tecnológico é usado para mapear os passos das equipes de segurança e de grupos rivais.

“Está cada vez mais comum a utilização de drones pelas organizações criminosas. Esses equipamentos permitem realizar monitoramento, possibilitando acompanhar e identificar posições policiais, rotas de patrulhamento, movimentação de equipes no terreno e também ações de organizações rivais. Paralelamente, temos a incorporação de lançadores de granadas, elevando o poder ofensivo desses conflitos. Com isso, aumenta o risco para os moradores das comunidades, que acabam expostos nessa guerra”, explicou o oficial.

O capitão alertou ainda para o uso de sistemas avançados de detecção: “Outro aspecto preocupante é o emprego de equipamentos como o Sentinel, capazes de identificar a localização de um drone e de seu operador. Sua existência representa um risco direto, considerando registros de ações criminosas contra pessoas responsáveis pela operação desses aparelhos. O cenário demonstra que a criminalidade vem se aprimorando em tecnologia, capacidade de vigilância e armamentos, em meio às disputas territoriais”.
O drone acabou apreendido durante a ação. Julio Luan e o aparelho foram levados para a 60ª DP (Campos Elíseos), onde a ocorrência foi registrada.
A reportagem de O DIA não localizou a defesa de Julio. O espaço segue aberto.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Larissa Amaral