A ação foi conduzida por agentes da 32ª DP (Taquara), que cumpriram quatro mandados de busca e apreensãoDivulgação/Polícia Civil
"Alguns diziam que tinham que me empacotar, me colocar no micro-ondas. Outros falavam em me cortar ou efetuar disparos contra mim. Também tentavam levantar meu endereço. Era tudo muito bem direcionado e orquestrado”, contou para O DIA
As medidas foram realizadas nos bairros do Anil, Bangu, Campo Grande e Rio Comprido. Durante as diligências, os policiais apreenderam celulares, computadores e documentos, materiais que agora serão analisados para tentar identificar a participação de cada investigado e esclarecer como as ameaças foram articuladas.
Além das buscas, quatro alvos da operação foram conduzidos à delegacia para prestar depoimento. A investigação continua e, segundo a Polícia Civil, a análise do material recolhido poderá ajudar a identificar outros envolvidos e verificar a extensão da atuação do grupo.
Inteligência identificou ameaças
De acordo com a Polícia Civil, o caso chegou ao conhecimento dos investigadores por meio de um trabalho de inteligência. As informações reunidas apontaram para a atuação de um grupo que teria ligação com uma facção criminosa atuante no estado.
A investigação indicou que as ameaças eram direcionadas a Bruno e que havia discussões sobre possíveis ataques contra ele. Para a corporação, a situação também ultrapassa a esfera pessoal, já que as intimidações teriam como alvo o exercício da atividade jornalística.
Bruno afirmou que tomou conhecimento das ameaças por meio de policiais. "A Polícia Civil, por meio de dados de inteligência, conseguiu interceptar algumas informações, confirmou os fatos, pediu os mandados à Justiça e os suspeitos foram deferidos", afirmou.
A operação desta quarta-feira foi justamente uma das etapas da investigação. Com os mandados autorizados pela Justiça, os agentes foram aos endereços identificados e recolheram equipamentos e documentos que poderão ser submetidos a perícia.
Jornalista já havia sido ameaçado
Bruno afirmou que esta não é a primeira vez que sofre ameaças em razão de reportagens sobre organizações criminosas. Segundo ele, criminosos chegaram a ir até a emissora em que trabalha para intimidá-lo.
"Os criminosos chegaram a ir até a porta do SBT para me ameaçar. A emissora me deixou cerca de 20 dias em casa por questões de segurança. Depois, emendei esse período com as férias. Fiquei mais de 40 dias afastado da rotina normal", relatou.
O jornalista atribui as ameaças ao trabalho desenvolvido em coberturas envolvendo facções criminosas e milícias no Rio de Janeiro.
"Muitas das minhas matérias já levaram traficantes do Comando Vermelho, do Terceiro Comando Puro e integrantes da milícia para a prisão. Fui o primeiro jornalista do Brasil a denunciar o uso de drones com explosivos. Também denunciei estruturas usadas pelo tráfico no Complexo de Israel. Isso incomoda essas organizações", disse.
Mudanças na rotina
Após tomar conhecimento das ameaças, Bruno passou a adotar uma série de cuidados. "Tive que mudar minha rotina inteira. Não frequento mais a mesma academia. Quando possível, procuro estar acompanhado. É uma situação que gera muita preocupação", afirmou.
Para o repórter, porém, o episódio não deve ser tratado apenas como um problema individual. Ele avalia que as ameaças representam um alerta para outros profissionais que trabalham na cobertura do crime organizado.
"Os ataques começam com o Bruno Assunção, mas, se nada for feito, podem atingir outros jornalistas. Acho que é o momento de a categoria se unir e cobrar mais segurança e melhores condições de trabalho. Estou sentindo na pele que não vale a pena se arriscar além do necessário por causa do trabalho", declarou.
Investigação continua
Os equipamentos e documentos apreendidos durante a operação serão analisados pela Polícia Civil. A intenção é identificar a participação de cada suspeito, entender a dinâmica das ameaças, verificar a eventual existência de outros envolvidos e reunir novos elementos para a investigação.
A corporação também destacou que crimes praticados por meio da internet podem resultar em responsabilização criminal e afirmou que a operação representa uma resposta às ameaças e à tentativa de intimidar a atividade jornalística.
O caso segue sob investigação da 32ª DP (Taquara).

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