O entregador Danilo Jander Francisco Alves, de 25 anos, morreu nesta terça-feira (15), em Niterói, Região Metropolitana do Rio. A O DIA, a direção do Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal) informou que o paciente teve morte encefálica e que a família autorizou a doação de órgãos.
No sábado (12), ele foi baleado em uma abordagem do programa Niterói Presente em Icaraí. O policial militar responsável pelo disparo foi preso em flagrante.
Danilo foi atingido na cabeça e socorrido pelo Corpo de Bombeiros, acionado por volta das 18h10 para a ocorrência na Rua Mariz e Barros. O entregador foi encaminhado ao Hospital Estadual Azevedo Lima, onde permaneceu internado em estado grave até ter a morte encefálica confirmada.
Segundo relatos de testemunhas e colegas de profissão, Danilo não reagiu à abordagem e estava com as mãos levantadas quando foi atingido. A versão é investigada pela Polícia Civil.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram a movimentação no local logo após o disparo e a revolta de outros entregadores. Os vídeos também registram o momento em que, enquanto Danilo recebia os primeiros socorros, um agente do Niterói Presente utilizou spray de pimenta para dispersar as pessoas que protestavam.
Motoboys fizeram manifestação
Dezenas de motoboys realizaram uma manifestação pacífica. O grupo saiu do Hospital Estadual Azevedo Lima e seguiu em ato até o local em que o jovem tinha sido baleado, em Icaraí.
Durante o protesto, os entregadores fizeram uma oração do Pai-Nosso pela recuperação do colega e gritaram frases como "motoboy não é bandido" e "justiça".
Família acompanhou internação
O tio do entregador, Douglas William de Souza Alves, esteve no hospital. Ao O DIA, o militar deu detalhes sobre a rotina da internação. "Ele iria fazer uma nova bateria de exames e logo depois eles [médicos] iriam convidar a gente para conversar de novo", afirmou.
Douglas elogiou a equipe médica e contou que tinha conseguido ver o sobrinho mais cedo naquele mesmo dia: "O hospital estava sendo excelente, esclarecendo tudo para a gente a cada momento. [...] Vi o Danilo pela manhã, estava lá, entubado. Fizemos uma oração, conversei com ele. Mas estava lá, estava vivo".
De acordo com o militar, ele ouviu relatos de que o sobrinho tinha sido atingido quando já estava rendido, sem reagir à abordagem. "O Danilo já estava rendido, com as mãos para o alto, quando tomou spray de pimenta e logo depois um tiro na cabeça. Era o que eu sabia, não vi, não tinha vídeo, era o que eu tinha ouvido o pessoal falando na rua", contou.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Larissa Amaral
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