Comando Vermelho estaria cobrando taxas de barqueiros em ParatyDivulgação/PMP

A Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) realizaram uma operação conjunta para combater a expansão do Comando Vermelho em Paraty, na Costa Verde Fluminense. Agentes foram às ruas para cumprir mandados de prisão e 29 de busca em apreensão. A ação terminou com duas pessoas presas em flagrante.
Investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) identificaram que membros da facção passaram a atuar na cidade impondo regras e explorando atividades criminosas.
Entre as práticas descobertas pela especializada estão a cobrança de taxas a comerciantes e prestadores de serviços, incluindo barqueiros, como condição para o exercício do trabalho. Além disso, os agentes também constataram a exploração de pontos de venda de drogas.
As apurações apontam que, embora o Centro Histórico de Paraty não esteja sob domínio territorial ostensivo, o crime organizado avança sobre áreas próximas, como a Ilha das Cobras, utilizada como ponto estratégico para o armazenamento, preparo e distribuição de drogas, além de ser local onde há imposição de cobranças ilícitas sobre serviços.
A Operação Alba buscou atingir as estruturas operacional e financeira do Comando Vermelho, assim como interromper as atividades criminosas da facção em Paraty.
Para isso, equipes da DRE-CAP, do 5º Departamento de Polícia de Área (5º DPA) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) atuaram, de forma integrada, com objetivo de cumprir, simultaneamente, mandados de prisão e de busca e apreensão.
O Gaeco investiga relatos de que traficantes incendiaram estabelecimentos cujos proprietários se recusaram a pagar as taxas, incluindo comércios pertencentes à população tradicional da região, os caiçaras. Também há casos em que vítimas e testemunhas foram ameaçadas de morte e expulsas de suas residências.
Além de Paraty, agentes também fizeram buscas na cidade do Rio, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense e em Angra dos Reis, na Costa Verde. Dispositivos eletrônicos foram apreendidos.

Turismo prejudicado

O município histórico de Paraty é o primeiro sítio misto - local que reúne, ao mesmo tempo, valor cultural e natural - do Brasil na lista do Patrimônio Mundial reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
A cidade é cercada pela Mata Atlântica e rodeada pelas águas calmas da Baía da Ilha Grande. A arquitetura dominante é característica da segunda metade do século 18 e primeiras décadas do século 19, com imóveis construídos no período colonial. 
Nos primeiros séculos de sua história, Paraty teve importância estratégica no cenário histórico brasileiro: funcionou como entreposto comercial utilizado para a entrada de mercadorias e escravos, e porto para o escoamento do ouro vindo de Minas Gerais e, posteriormente, para o café do Vale do Paraíba.
Patrimônio Nacional, o município está localizado à beira-mar. Por isso, uma das principais formas de turismo são os passeios de barco. Com a atuação do Comando Vermelho, barqueiros estão sendo ameaçados para pagar taxas e, assim, continuar o trabalho.
O crime ameaça a continuação do serviço e, por consequência, prejudica o turismo. A operação desta quarta teve como objetivo reunir novas provas, identificar envolvidos e avançar na apuração da estrutura mantida pela organização na cidade.

Ação em presídios

A Operação Alba também mira estrutura criminosa dentro de presídios. Em uma segunda frente, a DRE, com apoio da Polícia Penal, realizaram buscas nos presídios Gabriel Ferreira de Castilho, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste, e no João Carlos da Silva, em Japeri, na Baixada Fluminense. Agentes vistoriaram celas em busca de celulares e outros materiais de interesse para a investigação.
Por determinação judicial, três custodiados foram transferidos para a Penitenciária de Segurança Máxima Laércio da Costa Pellegrino, a Bangu I. Eles seriam Marcel Espírito Santo Souza, o Cebolão; João Pedro Ferreira Francisco, o JP; e Marcelo Silva de Melo Dutra Júnior, o Marcelinho. Os três são apontados como líderes do grupo atuante em Paraty.
De acordo com a Civil, a atuação no sistema penitenciário faz parte da estratégia da operação para atingir diferentes níveis da estrutura criminosa, alcançando tanto integrantes que atuam nas ruas quanto aqueles que, mesmo privados de liberdade, continuariam exercendo funções de comando.