A Polícia Federal apura a negociação de uma assessora do candidato à presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, envolvendo emendas parlamentares com um miliciano condenado neste ano por organização criminosa no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco. Ainda de acordo com a investigação, a funcionária do político também enviou convite para que Robson Calixto, conhecido como Peixe, participasse de um evento com Flávio Bolsonaro no qual poderia cobrar pessoalmente a liberação dos recursos. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (21) pelo Estadão.
A apuração teve início a partir da operação da PF deflagrada em julho deste ano para apurar desvios de emendas parlamentares federais destinadas a organizações da sociedade civil (OSCs) do Rio de Janeiro vinculadas ao ex-deputado Chiquinho Brazão e ao ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Domingos Brazão, condenados pela morte de Marielle Franco. Durante a ação, Robson Calixto Fonseca estava entre os alvos.
Quem é Robson Calixto
Robson Calixto da Fonseca, ex-assessor do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio, Domingos Brazão, foi preso em maio de 2024, durante uma ação da Polícia Federal para prender envolvidos na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Ele e o policial militar Ronald Paulo Alves Pereira, apontado como o ex-chefe da milícia da Muzema, são acusados de monitorar a vereadora e planejar o atentado. Eles foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo assassinato da vereadora. Além deles, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e Rivaldo Barbosa também foram denunciados.
O esquema
De acordo com os investigadores, parte dos recursos repassados por meio de verbas parlamentares teria sido desviada. Os recursos seriam destinados a entidades sem fins lucrativos que mantinham parcerias com órgãos da administração pública federal. O repasse ocorria mediante pagamentos irregulares, uso de empresas de fachada e mecanismos para ocultar a origem e o destino dos valores.
A suspeita é que o grupo utilizava as OSCs, pessoas físicas e empresas ligadas aos suspeitos para a movimentação financeira e a ocultação patrimonial. A PF apura ainda indícios de superfaturamento, conluio em cotações de preços e a não execução dos contratos firmados pelas instituições envolvidas.
Segundo a Polícia Federal, os fatos podem configurar os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de outros delitos que venham a ser identificados no decorrer do inquérito.
A reportagem tentou contato com a defesa de Flávio Bolsonaro, às 20h21 desta segunda-feira (21), para obter um posicionamento sobre o envolvimento de sua assessora. Até o momento, não houve retorno. O DIA também tenta localizar as defesas de Robson Calixto, Ronald Paulo Alves Pereira, Domingos e Chiquinho Brazão. O espaço está aberto para manifestações.
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