Professor de artes marciais foi alvo de ação do Ministério PúblicoReprodução/Redes sociais
O caso teve origem em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo. Segundo a acusação, William, que integrava a delegação do Estado do Rio de Janeiro em uma competição esportiva realizada entre os dias 23 e 27 de novembro de 2021, no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, teria constrangido de maneira a obter relações sexuais com uma atleta de 16 anos.
De acordo com os autos, a adolescente relatou ter recebido mensagens do então integrante da equipe de apoio da delegação fluminense por meio das redes sociais. Ela também descreveu situações ocorridas durante o evento que teriam lhe causado desconforto, incluindo convites para que fosse ao quarto onde ele estava hospedado e interações consideradas inadequadas.
William negou as acusações durante o processo. A defesa sustentou que as mensagens não possuíam conteúdo sexual e que não houve qualquer conduta capaz de caracterizar o crime de assédio sexual.
Na sentença, a magistrada responsável pelo caso destacou que, embora a palavra da vítima tenha relevância especial em crimes dessa natureza, ela deve ser analisada em conjunto com os demais elementos produzidos durante a instrução processual. Após examinar o material reunido nos autos, a juíza concluiu que não havia provas suficientes para uma condenação.
A decisão registra que as mensagens apresentadas não evidenciaram investidas de natureza sexual, comportamento insistente, agressivo ou intimidatório. Segundo a magistrada, também não foram identificados elementos capazes de demonstrar a finalidade sexual exigida para a configuração do delito apontado pelo Ministério Público.
Outro ponto considerado na sentença foi a ausência de relação hierárquica direta entre William e a atleta. Conforme a decisão, ele não exercia funções de treinador ou professor da jovem, atuando apenas como representante da delegação durante a competição.
Após a divulgação da sentença, William Correia afirmou, por meio de nota à imprensa, que recebeu a decisão "com serenidade". Segundo o comunicado, o resultado foi alcançado após a análise de todos os elementos produzidos durante a instrução do processo, incluindo depoimentos, mensagens e demais provas apresentadas pelas partes.
A nota destaca que a sentença concluiu que as conversas analisadas não demonstraram investidas de natureza sexual nem comportamento insistente ou intimidatório. A defesa também ressaltou que o Juízo considerou a absolvição "medida de rigor" diante do conjunto probatório produzido.
No texto, William agradeceu o apoio recebido desde o início do processo e afirmou que pessoas próximas buscaram compreender os fatos respeitando o devido processo legal. Ele também lamentou a divulgação pública de informações relacionadas ao caso enquanto a ação ainda estava em tramitação na Justiça.
William é conhecido por atuar em Copacabana e ganhou projeção nos últimos anos por liderar o grupo "Anjos da Guarda Vigilância Comunitária" (AGVC). A organização é apontada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) como responsável por promover ações de vigilância informal, perseguições, agressões e exposição de adolescentes suspeitos de furtos e roubos na Zona Sul.

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