Homem foi preso em flagrante pelo crimeReprodução

"Ele teve uma frieza, uma crueldade, um cinismo, parece coisa de filme. Tudo que aconteceu acabou com a minha família. Desestabilizou todo mundo. Me devastou." O desabafo da bacharel em Direito, Ellen Cristine, prima da bebê de 2 anos que morreu após ser estuprada e espancada pelo padrasto, destaca a dor de uma família que convive há seis dias com o luto.
O crime ocorreu na última terça-feira (29). No dia, a criança deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Miguel Couto, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, apresentando sinais de violência física e abuso sexual. Exames periciais e os laudos técnicos constataram lesões graves, incluindo rompimento de órgãos internos e lacerações.
A descoberta descartou a versão apresentada pelo padrasto, que inicialmente alegou que a enteada tinha se engasgado e sofrido uma queda acidental. Após a investigação, realizada pela 54ª DP (Belford Roxo), ele foi preso em flagrante, no dia seguinte, e confessou o crime.
Ao O DIA, nesta segunda-feira (5), Ellen Cristine contou que a família segue convivendo com a dor da perda. A mãe da bebê, que havia deixado as duas filhas com o companheiro, não conseguiu retornar para a residência onde o caso aconteceu desde então.
"Estou falando com ela todos os dias, tentando falar de assuntos aleatórios, ficando com a outra filha para ela dar uma descansada também. Estamos tentando ajudar, mas infelizmente tudo que fizermos ainda vai ser pouco. Nada vai resolver", disse.
Em dezembro do ano passado, a mulher já tinha perdido um filho devido a uma doença. No intervalo de 10 meses, a família foi atingida por um crime hediondo. Ela está grávida, de cinco meses, do autor. 
"Ela perdeu um neném por doença. Dói, mas era algo alheio à nossa vontade. Com ela não, foi diferente. Ela era tudo para a mãe dela. É uma dor diferente. Me devastou. Desestabilizou todo mundo, além dos requintes de crueldade que foram usados. Ele foi muito frio e muito cruel. Ele conseguiu dar banho na menina depois de morta para tirar os vestígios. Isso acabou com a nossa família. A gente vê muitas reportagens na televisão, mas nunca espera que vai acontecer com a gente", destacou.
Formada em Direito, Ellen ressaltou que sabe que existem brechas que podem levar o autor à liberdade. No momento, a prima apenas deseja que a justiça ocorra. Ela aproveitou para pedir que as pessoas parem de culpar as mães em casos como esse.
"Que a justiça seja feita, da melhor forma. Infelizmente, a justiça é muito falha. Eu te digo por trabalhar nessa área. Tem que sair a sentença. E eu acho muito importante que as pessoas parem de culpar as vítimas. Ninguém é culpado por confiar em alguém. Ninguém vem com letreiro na testa e consegue adivinhar o futuro. Tenho certeza que ela jamais permitiria que ele entrasse na vida das crianças", comentou.
O enterro da menina ocorreu na última quarta-feira (30) no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu. Dois dias depois, o padrasto passou por audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida à preventiva. A reportagem não localizou a defesa do homem. O espaço está aberto para manifestação.