Solange, de amarelo, tentava separar briga quando passou malReprodução / Redes Sociais

Uma mulher passou mal e morreu após tentar separar uma briga de adolescentes nas proximidades da Escola Municipal João Proença, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Solange Almeida de Souza, de 53 anos, foi chamada pela escola porque uma das filhas, de 13 anos, estava sendo ameaçada por outras meninas.
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Ao O DIA, uma das filhas de Solange, Camila Almeida, de 30 anos, contou que a mãe recebeu o chamado por volta das 15h desta terça-feira (27) e, ao chegar na escola, já encontrou a confusão acontecendo.

“Quando foi 14h30, duas adolescentes ameaçaram a minha irmã dentro da sala de aula. Tem vídeo delas colocando o dedo na cara e oprimindo a minha irmã. A escola ligou para minha mãe ir buscar minha irmã. As meninas se enturmaram com outras e barraram minha irmã do lado de fora, fizeram aquela muvuca toda. Minha mãe tentou tirar a minha irmã e as crianças estavam rodeando ela, filmando, rindo, jogaram pão e um monte de coisas”, conta.

Enquanto tentava separar a briga, Solange começou a passar mal e caiu desmaiada. Ela morreu no local. Nesta quarta-feira (28), o Instituto Médico Legal (IML) de Campo Grande concluiu que ela teve um infarto do miocárdio, que causou ainda edema pulmonar e tromboembolismo pulmonar.

“Tem vídeos que mostram minha mãe no meio delas separando. Tem vídeo da minha mãe caindo para trás com o infarto, tem tudo, está rolando na internet, as crianças gravaram. Minha mãe nunca teve problema de saúde, sempre foi saudável. Acho que ela ficou muito nervosa com o caso. Na hora que ela sofre o infarto ela vira para a minha irmã de 15 anos e fala:‘estou passando mal’ e cai para trás”, relata.

Camila conta que foi avisada pela irmã de 15 anos sobre o acontecido. Segundo ela, Solange não teve qualquer tipo de socorro ou respaldo da escola.

“Quando eu cheguei no local, por volta das 17h, a escola não estava presente. Só quem estava era a minha irmã de 13 anos e a outra de 15, com vários alunos em volta. A minha mãe ficou jogada lá igual a um bicho. Ninguém a socorreu, minha mãe morreu lá no local e ficou por isso mesmo”, revela.

A filha de Solange pede por justiça e cobra um posicionamento da escola sobre o motivo de não ter evitado que a briga se tornasse algo maior.

“A escola não entrou em contato comigo, ninguém falou nada. As adolescentes estavam com tesoura, já estava tudo tramado. A escola não teve nem afeto nem compaixão. Na delegacia, a diretora não sabia nem dizer quem era a professora que estava dando aula. A diretora poderia ter intervido, prendido elas dentro da escola para depois com a minha mãe, mas não. Saiu todo mundo junto. Quando eu cheguei não tinha ninguém, não tinha diretora, supervisor... a diretora prendeu só prendeu dentro da escola as duas meninas que arrumaram a confusão depois. Por que ela não fez isso antes?”, questiona.

Procurado, o Corpo de Bombeiros afirmou que foi solicitado apenas uma remoção de cadáver na Rua Iturbides Esteves, que fica na lateral da escola, às 19h29.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação afirmou que após buscar sua filha, envolvida em um caso de indisciplina, uma mãe se desentendeu com outra, já fora da Escola Municipal João Proença, e desmaiou. Segundo a pasta, Solange teria sido socorrida por enfermeiros do Centro Municipal de Saúde Alberto Nascimento, que fica próximo à unidade escolar, mas não resistiu.

“A Secretaria de Educação se solidariza com a família e acompanha o caso prestando todo o suporte necessário”, diz a nota.
A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada pela reportagem, através do e-mail, às 11h38 desta quarta-feira, mas não enviou resposta até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestações.

A Polícia Civil informou que o caso é investigado pela 35ª DP (Campo Grande). A corporação disse que diligências estão em andamento para apurar os fatos.

Solange deixa cinco filhas, sendo duas menores de idade. De acordo com Camila, ela sempre foi muito batalhadora.

“A minha mãe sempre foi uma pessoa muito muito batalhadora. Ela criava as duas meninas dela, tinha o dia a dia dela, às vezes catava latinha e papelão para comprar algumas coisas para minhas irmãs. Vivia a vida dela. Levava as crianças na escola e buscava no ponto… Eu quero saber como vai ficar a situação das minhas irmãs. Agora nós vamos cuidar das duas menores e tem também o pai delas, que morava com a minha mãe”, diz.

A despedida de Solange aconteceu nesta quarta-feira (28) no Cemitério de Campo Grande.