Diante da crise, Bilhete Único fica na corda bamba

Dívida com as empresas não é paga, mas governo diz tentar negociar solução

Por gabriela.mattos

Rio - O governo estadual não pagou a dívida com as concessionárias de transporte relativa ao subsídio do Bilhete Único intermunicipal, que deveria ter sido quitada ontem. A Secretaria Estadual de Transportes informou que, devido aos arrestos judiciais nas contas do estado, não foi possível fazer o pagamento do débito, que já passa de R$ 9 milhões.

Diante do não cumprimento da promessa, a secretaria afirmou que está negociando com as concessionárias de transporte para que o benefício não seja interrompido. A indefinição preocupa quem depende dos descontos tarifários proporcionados pelo programa social, que beneficia 5,3 milhões de pessoas no estado.

O eletricista Jovêncio Gomes de Oliveira, de 42 anos, mora em Maricá e trabalha há seis meses na Cidade Nova. Com o Bilhete Único, ele utiliza dois ônibus intermunicipais para chegar à empresa e paga apenas R$ 6,50 na integração de ida e mais R$ 6,50 na volta — R$ 13 por dia e R$ 286 por mês. Se perder o benefício, terá de arcar com R$ 24 só na ida, já que a tarifa cheia de uma das conduções custa R$ 9,50 e a da outra, R$ 14,50. O gasto diário com passagem chegaria a R$ 48 e o mensal, a R$ 1.056, ou seja, quase quatro vezes maior.

Jovêncio tem medo de perder o emprego e o sustento da família, já que, antes do Bilhete Único, muitas empresas evitavam contratar profissionais que moravam longe. “Isso aqui (o bilhete) é uma mão na roda popular. Eu acho que o governo querer extinguir é um crime contra a massa. A gente depende disso. A empresa não iria arcar com a diferença.”

Como uma forma de cortar gastos, o estado propôs restrições ao BU no chamado ‘Pacote de Maldades’, que começa a ser votado na Assembleia Legislativa na terça. Uma delas é o reajuste da tarifa de R$ 6,50 para R$ 7,50, além de um teto de R$ 150 de subsídio por beneficiário.

O estado paga a diferença entre o valor do BU e o preço total das passagens. Atualmente, o governo gasta mais de R$ 600 milhões por ano com o subsídio e, segundo estimativa, com as restrições propostas, a economia seria de R$ 256 milhões ao ano.

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