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Caminhões desrespeitam restrições

Sem fiscalização, operações de carga e descarga atrapalham o já bastante lento trânsito da cidade

Por gabriela.mattos

Rio - Os motoristas do Rio de Janeiro sabem que a paciência é uma virtude necessária para que consigam encarar os longos congestionamentos na cidade. Com o pior trânsito da América do Sul — segundo estudo da empresa holandesa TomTom, de tecnologia em transporte —, a cidade tem um fator que ajuda consideravelmente a manter esse título: os veículos de carga que desrespeitam os horários permitidos para a circulação.

De acordo com um decreto de 2016, os veículos de carga não podem entrar ou circular por bairros da Zona Sul e do Centro nos períodos de 6h às 10h da manhã e de 17h às 21h da noite. No entanto, ao circular pelos bairros do Humaitá, Botafogo, Leme e Copacabana, O DIA flagrou pelo menos 9 veículos descarregando mercadorias em locais e horários proibidos na última segunda-feira.

Em horário proibido para operações de descarga em Copacabana%2C caminhões prejudicam o trânsito no bairroSeverino Silva / Agência O Dia

Na avaliação do funcionário público Rogério de Souza, de 38 anos, faltam locais apropriados para veículos de carga estacionarem. “Já perdi muito tempo no trânsito por causa dos engarrafamentos que se formam quando algum veículo de carga desrespeita as regras. A prefeitura precisa fiscalizar de forma mais eficaz e coibir essas irregularidades”, avaliou.

Já a professora Estela Bacelar, de 55 anos, acredita que a cidade precisa criar mecanismos para privilegiar os profissionais do setor sem afetar a fluidez do trânsito. “Se já é difícil encontrar vaga para estacionar veículo de passeio, imagina um caminhão de carga”, questionou.

A Federação de Transporte de Carga do Rio de Janeiro (Fetranscarga) repudiou a atitude dos motoristas flagrados descumprindo as regras e quer que a prefeitura amplie o número de vagas exclusivas para esta finalidade. “Além de ter número pequeno de vagas, muitas delas são ocupadas de forma irregular por veículos de passeio ou por ambulantes. Em alguns casos, os transportadores chegam ao destino dentro do horário permitido, mas por falta de vagas acabam estacionando em local proibido. Isso é ruim para todos. A prefeitura precisa criar mecanismos tecnológicos para fiscalizar com mais rigor a fim de melhorar a fluidez do trânsito e de permitir que o abastecimento da cidade não seja afetado”, cobrou Eduardo Rebuzzi, presidente da entidade.

Motorista diz que já gastou até 13º salário com pagamento de multas

O motorista de uma empresa de carga, que pediu para não ter a identidade revelada, afirmou que no ano passado precisou lançar mão do 13º salário para pagar multas de trânsito. “Tenho que ficar dando voltas com o caminhão enquanto meus ajudantes entregam os produtos. Já recebi tantas multas que tenho medo de estacionar o veículo. Já pensei em sair do Rio e voltar a trabalhar na minha cidade (Leopoldina-MG)”, desabafou.

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), o Rio dispõe de 825 vagas para a operação de carga e descarga. A Guarda Municipal (GM-Rio) informou que atua de forma a coibir infrações de trânsito em toda a cidade e reforçou que a população pode acionar a autarquia através da Central de Atendimento ao Cidadão da Prefeitura, no telefone 1746. A GM-Rio afirmou que atende a chamados em um prazo máximo de 30 minutos.

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