Adolescentes e idosos são as maiores vítimas de suicídio

No último capítulo da série 'Sinal de alerta', o DIA fala sobre os altos índices envolvendo as duas faixas etárias

Por RENAN SCHUINDT

Desde 2012, taxa de suicídio entre pessoas de 15 a 29 anos subiu 10%
Desde 2012, taxa de suicídio entre pessoas de 15 a 29 anos subiu 10% -

Rio - Mariano (nome fictício), de 82 anos, que mora no Méier, ficou viúvo e passou a lidar com a solidão. Lucas (nome fictício), de 16, enfrentou a timidez e o bullying em um colégio na Vila Valqueire. De gerações diferentes, eles superaram o mesmo drama e redescobriram um sentido para viver.

Os dois estão em faixas etárias mais suscetíveis ao suicídio, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade estipulou a meta de reduzir em 10% o índice de óbitos. Para isso, é preciso redobrar a atenção em casos envolvendo adolescentes como Lucas e idosos como seu Mariano.

A cada ano, cerca de 800 mil pessoas interrompem a própria vida no mundo. Os idosos ainda são as maiores vítimas. Entretanto, há um aumento gradativo de casos entre os jovens. O bullying, drama enfrentado por Lucas, está entre as maiores causas de suicídio na faixa etária de 15 a 19 anos. Já no grupo mais experiente, doenças como câncer, Aids e esclerose múltipla estão associadas a uma da taxa de suicídio mais alta.

AUMENTO NO NÚMERO DE CASOS

Um levantamento do Ministério da Saúde de 2000 a 2015 mostra o aumento de 45% dos casos entre os jovens de 15 a 19 anos. De 10 a 14 anos, o aumento foi de 65% (veja outros dados no infográfico). "A adolescência é, por si só, um período conturbado. Mas quando falamos em suicídio, devemos pensar em um fenômeno que traz uma convergência de fatores. Isso inclui aspectos fisiológicos, sociais e culturais, muitas vezes combinados a experiências de trauma ou perda", afirma Teng Chei Tung, psiquiatra da USP.

"Quadros depressivos podem ser confundidos com a ideia de que adolescentes são explosivos ou distantes. É preciso ficar alerta aos sinais", orienta Eurico Correia, diretor médico da Pfizer.

No grupo de pessoas com mais de 70 anos, a média de casos dos últimos seis anos é de 8,9 mortes por 100 mil habitantes no país. Bem maior que a média nacional em todas as idades, que é de 5,5 óbitos a cada 100 mil pessoas. Os dados são do Ministério da Saúde. Segundo especialistas, muitos casos estão associados a doenças como epilepsia, Parkinson ou até problemas cardiovasculares. No entanto, o isolamento social ainda é o maior fator de risco. Aliás, um levantamento revelado recentemente pela Universidade Federal do Amazonas aponta que essa causa motivou 32% dos suicídios entre os homens e 31% entre as mulheres.

CASOS LIGADOS À SOLIDÃO

Em números absolutos, os homens representam 79% do total de óbitos registrados no país. Solteiros, viúvos e divorciados foram os que mais morreram por suicídio entre pessoas com mais de 70 anos, com um índice de 60%. “É possível desenvolver programas educativos sobre o consumo de álcool e outras drogas. Mas há outros fatores que também merecem atenção, como a presença de transtornos psiquiátricos, que não são diagnosticados de maneira adequada. Sobretudo, a depressão”, afirma Chei Tung.

RISCO REDUZIDO

De acordo com o levantamento do Ministério da Saúde, o risco de suicídio nos locais onde existem Centros de Apoio Psicossocial (Caps) é reduzido em até 14%. Isso reforça a importância dos serviços de assistência psicossocial e sua expansão. Hoje, o país conta com cerca de 2,5 mil unidades.

Um dos fatores mais importantes na prevenção ao suicídio é o acolhimento. Por isso, uma parceria entre o Ministério Público e o Centro de Valorização da Vida (CVV) contribui com a redução do número de óbitos no país. A partir do dia 30 deste mês, a ligação para a instituição que faz o apoio emocional ficará disponível sem custo para mais oito estados. Além do Rio, o 188 vai atender Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Santa Catarina, Piauí, Roraima, Acre, Pará e Rondônia.

Segundo a porta-voz do CVV, Leila Herédia, a expansão beneficiará 21% da população brasileira. "O custo era um fator que impedia as pessoas de buscar ajuda. No momento de angústia, elas querem ser ouvidas", analisa. Para se ter ideia do impacto, o número de atendimentos saltou de 4,5 mil ligações para 58 mil nos últimos três anos no Rio Grande do Sul, onde o serviço foi iniciado. Além disso, a entidade também presta assistência pessoalmente, via e-mail ou chat.

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