MPF investiga pedido de Cabral a deputados presos

Ex-governador teria pedido a Picciani e a Albertassi para empregar parente

Por Bruna Fantti

A denúncia feita pelos procuradores do Ministério Público Federal que desencadeou a operação Cadeia Velha, na semana passada, revela emails trocados entre o ex-governador Sérgio Cabral e os deputados do PMDB do Rio Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. Em um deles, há o indício de nepotismo cruzado.

Em uma das mensagens, Cabral pediu a Picciani e a Albertassi que mantivessem o marido de uma prima na Assembleia Legislativa do Rio.

"As investigações revelam que são constantes os pedidos para ocupação de cargos e empregos públicos, inclusive de Sérgio Cabral, que interveio para que Albertassi e Picciani mantivessem parente do ex-governador trabalhando na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro", afirmaram os procuradores.

O e-mail data do dia 4 de fevereiro de 2015 e foi enviado por Cabral. "Amigos, Priscila é minha prima e filha do meu tio que é irmão da minha mãe. Se puder manter seu marido eu agradeço. Acabaram de ter um filho. Forte abraço."

De acordo com a legislação, nepotismo direto é "aquele em que a autoridade nomeia seu próprio parente". Já o cruzado é aquele em que "o agente público nomeia pessoa ligada a outro agente público, enquanto a segunda autoridade nomeia uma pessoa ligada por vínculos de parentescos ao primeiro agente, como troca de favores, também entendido como designações recíprocas".

Outro caso polêmico de nomeações envolvendo os políticos presos ocorreu no Tribunal de Contas do Estados (TCE). Em depoimentos revelados na última sexta-feira, três conselheiros substitutos do TCE afirmaram que foram convencidos pelo deputado Edson Albertassi a assinar uma carta renunciando à vaga de titular do órgão, aberta pela aposentadoria de Jonas Lopes. A justificativa: Picciani queria o deputado no TCE.

Marcelo Verdini Maia, Andrea Siqueira Martins e Rodrigo Nascimento disseram que foram convencidos pelo deputado Edson Albertassi a desistirem do cargo. Em nota, os três conselheiros afirmaram que não foram pressionados.

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