Operador de Cabral vira delator

Carlos Miranda confirma acusações de Cavendish sobre anel de R$ 800 mil e propinas a ex-governador

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Cabral, também em audiência ontem, negou as acusações e disse que Miranda tinha ressentimento
Cabral, também em audiência ontem, negou as acusações e disse que Miranda tinha ressentimento -

O principal operador do esquema de corrupção chefiado pelo ex-governador Sérgio Cabral, Carlos Miranda, confirmou ontem, em interrogatório na 7ª Vara Federal Criminal, como delator, que empresas contratadas pelo estado pagavam 5% por contrato à organização criminosa. Ele também afirmou que Cabral já cobrava propinas desde que atuava na Alerj nos anos 1990. Além disso, confirmou a versão do empresário Fernando Cavendish, da Delta Construções, de que abateu o valor de um anel comprado para Adriana Ancelmo, por cerca de R$ 800 mil, de propina repassada a Cabral.

Conhecido por ser 'o homem da mala', Miranda disse que ele mesmo contabilizou o desconto. "Fernando Cavendish me informou que tinha esse gasto para ser descontado desta propina e eu fiz a contabilidade desse valor", disse ao juiz Marcelo Bretas. Miranda fechou delação com o Ministério Público Federal, homologada pelo Supremo Tribunal Federal. A informação foi divulgada pela defesa de Miranda durante o depoimento.

O operador também explicou o papel de cada um dos integrantes do esquema. Ele disse que Luiz Bezerra atuava como seu funcionário e passou a fazer o recolhimento de dinheiro, de acordo com as suas ordens, depois que o seu nome apareceu na operação Castelo de Areia, em 2010. A orientação teria partido do próprio Cabral. "Bezerra trabalhava para mim, recolhia o dinheiro vivo e fazia os pagamentos que eu determinava que ele fizesse. Em 2010, com a operação Castelo de Areia, saiu meu nome e, por orientação do Sérgio, ele me pediu para que eu evitasse ir até as empresas para trazer o dinheiro. Foi quando o Bezerra começou a trabalhar comigo, fazendo esse trabalho", disse.

Miranda acrescentou que a pessoa referida como "Cabra Macho" na tabela de contabilidade das propinas era Cabral. Além disso, que empresas também fizeram contribuições visando interesses em alguma legislação estadual. O operador também afirmou que o então secretário da Casa Civil, Regis Fichtner, recebia propinas em parcelas de R$ 50 e R$ 150 mil. A defesa de Fichtner não foi encontrada.

Miranda já foi assessor parlamentar de Cabral, sócio em uma empresa ligada à sua família e casou-se com uma prima em primeiro grau do ex-governador. Segundo o MPF, depoimentos o apontaram como a pessoa a quem Cabral confiou a coleta e transporte das propinas exigidas das empreiteiras.

Logo depois, Cabral prestou depoimento e negou as acusações. Ele afirmou que Miranda guarda ressentimento por nunca ter passado um fim de semana em sua casa em Mangaratiba e por nunca tê-lo levado para o governo. "Não tinha intimidade nenhuma com Carlos Miranda. Não ia com ele para lugar nenhum, achava ele um sujeito sem graça", disse.

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