Postos em Niterói registram filas após primeira morte de macaco por febre amarela - Divulgação/ Prefeitura de Niterói
Postos em Niterói registram filas após primeira morte de macaco por febre amarelaDivulgação/ Prefeitura de Niterói
Por RAFAEL NASCIMENTO
Publicado 18/01/2018 11:41 | Atualizado há 3 anos

Rio - Após a confirmação da primeira morte de um macaco por febre amarela, os postos de saúde de Niterói registraram longas filas na manhã desta quinta-feira. Quem procurava pela vacina, no entanto, continuava reclamando que não há imunização para todos. 

É o caso da ambulante Silvania Pereira, 48 anos, que já foi em dois postos, mas não conseguiu se vacinar. "Não me vacinei ainda. Ontem fui no posto de saúde do Foncensa e não tinha mais vacina. Hoje cheguei aqui e não tinha também. Fico preocupada, pois foi registrado a morte de um macaco com a doença. Vou tentar ir em outro local novamente", conta a mulher em frente a Policlínica Regional Doutor Carlos Antonio da Silva, no Centro do município.

Os postos de São Gonçalo, município vizinho, também tiveram filas desde o início da manhã. No posto Washington Luiz, no Zé Garoto, diversos pacientes chegaram antes das 6h para conseguir se vacinar. De acordo com a direção da unidade, 800 pessoas foram vacinadas na quarta e a expectativa era que 1,2 mil pacientes recebessem a imunização nesta quinta.

Acompanhante de idosos, Antônia Maria da Conceição, de 52 anos, foi à unidade com a filha de 11 anos e disse que os postos do Centro estão mais cheios. "Moro na localidade Água Mineral, onde há muito mato. Procuramos os postos, mas eles estão super lotados. Muitos, como o do Menino de Deus, estão sem vacina. Muitas pessoas estão vindo para o Centro pra vacinar. Ontem meu vizinho chegou às 8h e saiu às 16h", contou a mulher.

Já o mototaxista Wallace Pereira, de 26 anos, reclamou de ter ficado no sol com a filha Karolaine, de nove meses. "Não temos prioridade na fila. Moramos no Jóquei e chegamos antes das 7h. Infelizmente, precisamos esperar nesse sol quente", lamentou.

No entanto, a direção do posto informou que os funcionários estão chamando os idosos e as crianças para entrarem na unidade e serem vacinados antes. "A vacina da febre amarela já faz parte do calendário de vacinação. De julho a dezembro, a média era de dez a 20 doses por dia, é um número muito baixo. Enquanto isso, de sexta a hoje, 4 mil já foram vacinados. Não existe senha, a pessoa entra na fila e é vacinada. Não tem como fazer fila preferencial. Não tem como controlar as 3 filas", explicou o diretor Jorge Barcellos. 

Horto Florestal, em Niterói, vai fazer campanha de vacinação

A partir da próxima semana a direção do Horto Florestal do Fonseca, em Niterói, — na região onde um macaco contaminado com a febre amarela foi encontrado morto — vai fazer uma campanha para alertar a população sobre a vacina de febre amarela. Local arborizado e com a presença de macacos-pregos, a direção alerta que o animal com a doença não foi achado no parque. "A nossa preocupação é que liguem a morte do animal com o parque. A população pode frequentar tranquilamente o Horto", disse Ander Carlos Moreira Lemos, diretor geral do Horto Florestal.

Diariamente, aproximadamente duas mil pessoas passam pelo local segundo a direção. A advogada Maria José de Souza Fraga, 62, aproveitou a quinta-feira de sol para passear com os sobrinhos. "O Horto é um local muito tranquilo e um espaço para passeio. Eu ainda não tomei a vacina, mas vou tomar nesta semana. Muitas pessoas estão indo aos postos, desesperadas, atrás da vacina. Eu frequento há 10 anos aqui. Não tenho medo e vou continuar trazendo as crianças aqui", lembra.

Com o esposo e a filha de um ano e nove meses, a dona de casa Anelise Wolker, 26, afirmou que toda a família se vacinou no ano passado. "É importante a imunização. Tomei a dose única há dois anos quando eu estava grávida do meu filho. No ano passado eu vacinei ele", disse Anelise.

Nesta quarta-feira, a Secretaria Estadual de Saúde confirmou a morte de um macaco infectado por febre amarela em Niterói. Este é o primeiro animal morto por causa da doença no estado em 2018. Ele foi encontrado há 10 dias no Fonseca. Os macacos não transmitem o vírus e tais casos servem como alerta à população.

Outro macaco foi encontrado morto no bairro Viçoso Jardim, mas ainda não há informações sobre a causa de sua morte. Procurada, a Prefeitura de Niterói confirmou as informações. Paralelamente, moradores da área onde foi encontrado o primeiro macaco estão sendo vacinados e a Saúde distribui repelentes para gestantes e idosos.

"Temos uma campanha na cidade para vacinar a população. Essa vacina já faz parte dos nossos postos. A cada ano vacinamos cerca de 75 mil pessoas", lembra Maria Célia Vasconcellos, secretária de Saúde de Niterói. "Peço que as pessoas que não se vacinaram, venham. Teremos doses para toda a população da cidade", completou.

De acordo com ela, oito mil pessoas já foram vacinadas no município em 2018. No ano anterior, 193 mil se protegeram. "O maior alerta é para que as pessoas não matem os animais. Eles não transmitem a doença. O macaco é um sinalizador para estudarmos esse problema. O animal é tão vítima quanto o ser humano. Ele apenas diz que a doença está ali e não passa para o homem", salientou.

 

 

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