Gilberto Palmares: Patrimônio de todos

A entrega da Cedae à iniciativa privada é passo firme em direção a um caminho que eles pretendem trilhar de entrega do patrimônio público

Por O Dia

Rio - Você teria interesse em comprar um negócio falido? Certamente não. Os grandes grupos de investidores não pensam diferente. É por isso que muitos, inclusive estrangeiros, estão ávidos por disputar a Cedae.

A empresa é a única pertencente ao governo do Estado do Rio que é lucrativa. É avaliada em mais de R$ 7 bilhões. Somente em 2016, em plena crise, repassou aos cofres do estado mais de R$ 68 milhões. E é exatamente em consequência de seu bom desempenho que se transformou em moeda de troca na negociação com o governo federal, que exige a venda da estatal para garantir ajuda que o estado precisa.

Privatizar a Cedae é, para os governo golpista do PMDB, questão simbólica. Na verdade, prestação de contas aos setores que o apoiaram. A entrega à iniciativa privada é passo firme em direção a um caminho que eles pretendem trilhar de entrega do patrimônio público. Petrobras, Eletrobras e Caixa são as próximas vítimas desta política entreguista.

Resistir a essa privatização é lutar por um estado forte e, assim, lutar para justiça social. Parte dos serviços de água e esgoto já foi privatizada pelo governador Marcello Alencar, cumprindo a cartilha do PSDB que despreza o papel social das empresas públicas.

Ou será que há alguma dúvida sobre os problemas que as comunidades populares enfrentarão caso o saneamento fique a cargo de empresários que visam somente ao lucro? A venda da empresa é ameaça concreta à manutenção da tarifa social, que viabiliza o atendimento à população mais pobre.

Nos municípios onde a privatização se deu, os serviços são precários, e muitas vezes as empresas privadas precisam se socorrer na própria Cedae.

É verdade que a companhia, como toda empresa pública, tem como desafio melhorar seu desempenho e ampliar a cobertura, mas não será com uma gestão que vise apenas ao lucro para seus proprietários que esse avanço se dará.

Da mesma forma, os mais de cinco mil funcionários da Cedae sofrerão consequências incalculáveis, com a precarização de condições de trabalho e perda de direitos trabalhistas.

A privatização faz parte do ‘Pacote de Maldades’ do governo do estado, que só será implantado se a Alerj compactuar com esse jogo perverso, virando as costas aos setores populares e aos trabalhadores. É hora de ter posicionamento firme em defesa do patrimônio público, dos servidores do estado e da população pobre. Defender a Cedae é defender o Rio.

Gilberto Palmares é deputado estadual pelo PT

Últimas de Opinião