Após declarar que Aldeia Maracanã 'é um lixo', Rodrigo Amorim diz que respeita indígenas

Deputado estadual mais votado do Rio diz que centro de referência indígena não deve ficar em terreno de alto valor imobiliário; ele diz que quer usar o mandato para fazer uma 'faxina' no local, mas antes quer entender o 'complexo judicial' que envolve a aldeia

Por Beatriz Perez

Rodrigo Amorim (PSL)
Rodrigo Amorim (PSL) -

Rio - O deputado estadual mais votado do Rio, Rodrigo Amorim (PSL), disse que vai usar seu mandato na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para intervir na Aldeia Maracanã, na Zona Norte do Rio, onde fica o antigo Museu do Índio. O deputado ficou conhecido ao participar de ato em que uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco foi quebrada. Agora, ele declara que a Aldeia - que foi alvo de protestos em 2013, quando o governo Sérgio Cabral quis desocupar o prédio - é um 'lixo urbano'. A declaração foi dada ao jornal O Globo e confirmada pelo DIA. Para o parlamentar, um centro de referência das culturas indígenas não pode ocupar um terreno de 14.300 metros quadrados de alto valor imobiliário no estado.

Após ter declarar que "Quem gosta de índio, vá para a Bolívia", o parlamentar negou ser contra o povo indígena. "Da maneira que foi colocada (a declaração no jornal O Globo), dá impressão que eu tenho algo contra o povo indígena, mas é contra o comportamento da esquerda que entende que fazer críticas a aquele lixo que é a Aldeia Maracanã, é fazer críticas aos indígenas. Se eles estão preocupados na manutenção daquele lugar, que vão para a Bolívia", disse.

Nesta sexta-feira o secretário especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse que todos os processos de ocupações de terras do país, desde as medidas de reforma agrária do Incra, passando por demarcações de terras indígenas pela Funai e por delimitações de terras quilombolas pela Fundação Palmares, serão alvo de um levantamento pelo governo Bolsonaro.

Rodrigo Amorim disse que não tem 'nad

a contra' e que respeita a cultura indígena "como de qualquer outro povo que contribuiu para a formação do povo brasileiro". Mas para ele, "não há sentido usar terreno tão valorizado para manutenção de cinco índios". "Eles têm que ser respeitados e acolhidos, mas não ao lado do nosso maior equipamento esportivo", disse.

O deputado disse que inicialmente pretende usar seu mandato para entender o complexo judicial que envolve a aldeia. "Vou buscar as informações e fazer diligências para, antes de resolver a questão, fazer uma faxina no lugar. É uma questão de saúde. O lugar é de proliferação de mosquitos". O parlamentar disse que o terreno, assim como o Canecão, deve ter a "ordem restaurada". " As pessoas que se exercitam no entorno do Maracanã reclamam que a Aldeia está virando uma cracolândia", disse.

A Funai disse que não irá se manifestar sobre as declarações do parlamentar.

O Governo do Estado informou que vai analisar a situação, "inclusive a questão jurídica", para tomar uma decisão sobre o local.

No mesmo terreno da Aldeia Maracanã, fica o prédio histórico que abrigou o Serviço de Proteção Indígena (SPI) do Marechal Rondon e o Museu do Índio até os anos 1970. O imóvel ficou abandonado até a ocupação pelos indígenas em 2006. Em 2013, houve uma reintegração de posse violenta por parte do estado e uma parte dos ocupantes aceitou apartamentos do Programa Minha Casa, Minha Vida, após passarem um ano e quatro meses morando em contêineres na Colônia Curupaiti, antigo local de isolamento de portadores de hanseníase, na zona oeste do Rio.

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