MPRJ denuncia bombeiros por aceitarem propina em Nova Iguaçu

Militares cobravam valores para a emissão de documentos de legalização de edifício

Por O Dia

Na manhã desta sexta-feira, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro apresentou duas denúncias contra quatro bombeiros militares e um civil por atuarem em um esquema de propina para expedição de documentos necessários à legalização de um edifício em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A denúncia foi apresentada à Auditoria de Justiça Militar do Rio e é um desdobramento da "Operação Ingenium".
De acordo com novas denúncias, em outubro de 2016, o tenente-coronrel Alex Silva André e o major Jonas Grujahu dos Santos Júnior conduziram as negociações que resultaram na aprovação e confecção de certificados aprovados, documento do Corpo de Bombeiros, para um edifício em Nova Iguaçu, mesmo sem o imóvel atender os requisitos vigentes contra incêndio e pânico. Elenício Rosa dos Santos, civil representante do prédio, foi denunciado por intermediar o recebimento da propina junto ao proprietário do imóvel e teve sua legalização processada no setor de engenharia do Grupamento, onde trabalhavam o major Thiago Ferreira de Almeida e o 1º sargento William Ribeiro. No esquema, eles tratavam propina como "extintor" para não levatarem suspeitas, ressalta o MP.

A denúncia enviada pelo MPRJ ainda relata que Alex permitia que atividades crminosas funcionassem sem interferências dentro das intalações militar. Já Elenício, destaca a denúncia, intermediava as tentativas de propina para negociar documentos junto a empresários da região. As negociações eram levadas setor de engenharia que, sob a responsabilidade do major Thiago e do 1º sargento William, ajustavam e liberavam a parte documental, completa o Ministério Público.

O MPRJ, por meio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), requisitou à Justiça que, após o devido processo legal, sejam proferidas decisões condenatórias aos denunciados, incluindo a decretação da perda do cargo e interdição para o exercício de função ou cargo público pelo prazo de oito anos, subsequentes ao cumprimento da pena. Os quatro militares foram denunciados por corrupção ativa, enquanto Elenício foi enquadrado por oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, como está no artigo 333 do Código Penal. Se condenado ele pode pegar de um a oito anos de prisão, e pagamento de multa.
O Corpo de Bombeiros não se pronunciou até a o momento.