Professor Wander Pinto e alunos da Escola Municipal Bernardo de Vasconcellos organizam passeios pela Penha, valorizando a história do bairro - Divulgação
Professor Wander Pinto e alunos da Escola Municipal Bernardo de Vasconcellos organizam passeios pela Penha, valorizando a história do bairroDivulgação "Rolé na Penha"
Por Thiago Gomide
Noel Rosa adorava. Pixinguinha não perdia uma. Donga, autor do primeiro samba gravado da história, “Pelo telefone”, se inspirava nela.
Estou falando da Festa da Penha, na icônica Igreja.
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O pintor e compositor Heitor dos Prazeres, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, disse que “aquele tempo não tinha rádio, a gente ia lançar música na festa da Penha. A gente ficava tranquilo quando a música era divulgada lá, que aí estava bem, que era o grande centro. Eu fiquei conhecido à partir da festa da Penha.”
A festa da Penha era uma celebração da colônia portuguesa, com todos os requintes e pompas da cultura europeia. Desde os meados do século XIX, seguidos da abolição e da chegada da República, a festa passa a ter um caráter mais popular. É possível ver a presença negra e toda sua bagagem cultural. A roda de samba, a capoeira, o jongo, a música negra, a culinária mudam o público e a dimensão do encontro. 
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“O grupo que vai causar maior impacto na Penha é sem dúvida o dos baianos da “Pequena África”, na Praça Onze. Tia Ciata e seus consortes armavam suas barracas com suas especialidades culinárias, sempre acompanhadas de todo ritual conforme as tradições culturais do grupo”, explica o professor de história Wander Pinto.
Já vou falar mais do Wander e dos alunos dele, que fazem um trabalho de conhecimento ao bairro da Penha. Calma aí.
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A festa era repleta de fatos que desafiavam os bons costumes. Dançavam. Bebiam. Comiam até não poder mais.
“Um padre chegou a proibir a presença dos negros, além de recolher todos os instrumentos musicais. Com isso rolou um certo “apartheid”: os brancos ocupavam a parte superior e os negros a parte inferior e toda a Rua dos Romeiros”, conta Wander Pinto, que leciona na Escola Municipal Bernardo de Vasconcellos.
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Todas as informações sobre a festa e sobre outras peculiaridades do bairro da Penha podem ser encontradas nos tours organizados pelo professor Wander e por grupos de alunos da escola pública Bernardo de Vasconcellos. É o famoso “Rolé na Penha”.
“Os alunos não conheciam o bairro, não conheciam o lugar onde moravam. Agora os alunos me dizem que levam os pais para conhecerem as histórias. Os pais também falam o que viveram ali. É uma troca constante”, disse o professor ao programa Dando Ideia, que esse colunista apresenta na MultiRio. 
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A praça é o lugar do encontro, disse João do Rio. Nada mais apropriado.

Acesse o facebook do @rolenapenha para saber as datas e horários dos próximos passeios. É grátis.
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Adianto: a Penha e a festa serão pautas de muitas outras colunas. Se você tem histórias e curiosidades sobre o bairro, entre em contato comigo no [email protected]