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Thiago Gomide - thigomide@gmail.com

Confusão dos diabos: estátua de Dom Pedro I na praça Tiradentes

Coluna pede para historiadora três curiosidades sobre o famoso monumento e também de prédios da região da Praça Tiradentes

Por Thiago Gomide

Passeio pela história da praça Tiradentes: projeto faz o visitante conhecer os detalhes desse espaço do centro do Rio de Janeiro
Passeio pela história da praça Tiradentes: projeto faz o visitante conhecer os detalhes desse espaço do centro do Rio de Janeiro -
Priscila Monteiro é historiadora e guia de turismo. Organiza badalados passeios por diferentes cantos da nossa cidade, principalmente pelo deteriorado centro.

Aproveitando os estudos e as andanças, pedi que ela me contasse coisas que ninguém ou quase ninguém soubesse sobre monumentos ou prédios importantes da Praça Tiradentes, no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Será que você conhece?

1) Real Gabinete Português de Leitura

“O Real Gabinete teve seu edifício inaugurado em 1887, sendo um projeto do arquiteto português Rafael da Silva Castro e tem o estilo neomanuelino.

A fachada tem quatro nichos com esculturas de Infante Dom Henrique, Luís de Camões, Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama, mas por lembrar muito as fachadas de igrejas europeias, é muito comum vermos pessoas fazendo o sinal da cruz a sua frente.

O acervo foi iniciado em 1837 por 43 portugueses, maior grupo de imigrantes do Brasil que, na época, já se preocupavam com a erudição dos colegas e despertar o gosto pela leitura”.

2) Centro Municipal Hélio Oiticica

“O prédio onde está localizado o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica foi inaugurado em 1872 e ampliado em 1890 para ser a sede do Conservatório de Música Brasileira, ocupando o prédio até a primeira década do século XX. Abrigou a sede do patrimônio do Ministério da Fazenda e cursos de Engenharia e Matemática Aplicada da UFRJ, até 1967 quando entrou em processo de abandono e destruição.

Entre os anos de 1993 e 1995 passa por grande obra de restauração se tornando em 1996 o centro cultural destinado a receber as obras do artista Hélio Oiticica, mas as obras foram transferidas de lá em 2009 para uma outra sede no Jardim Botânico e, infelizmente, em outubro daquele ano boa parte da obra do artista se perdeu em um incêndio.

O CCMHO atualmente é voltado para a arte contemporânea”.

3) Estátua de Dom Pedro I

“O monumento central da Praça Tiradentes causa espanto e estranheza a todos que passam por lá, pois, afinal, o homenageado é Dom Pedro I e não o alferes que dá nome a praça.

Essa confusão se deve a uma alteração no nome da praça ocorrida em 1890, após a Proclamação da República quando passou a ter o nome atual.

O nome anterior era Praça da Constituição e, por isso, esse que foi o primeiro monumento público do Rio de Janeiro, confeccionado para as comemorações dos 40 anos da independência do país, representa Dom Pedro I segurando a constituição imperial outorgada por ele em 25 de março de 1824.

O monumento foi produzido na França e enviado para o Rio para uma inauguração marcada para 25 de março de 1862, porém a inauguração teve que ser adiada para o 30 de março devida a forte ameaça de chuva.

Bom, como as águas de março fecham o verão, após a retirada do tecido que cobria a escultura, uma forte chuva caiu na cidade e vários nobres e o Imperador D. Pedro II tiveram que se abrigar no Teatro São Pedro, atual João Caetano”.

E aí, sabia?

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Projeto Rotas Culturais

Conheça o projeto que a Priscila faz parte.

“O projeto Rotas Culturais é composto de visitas guiadas gratuitas e de mapeamento cultural do Centro Histórico do Rio de Janeiro”, alerta o texto no site do projeto.

Tem facebook e instagram

A primeira edição, em 2018, contemplou 500 pessoas e conquistou o troféu Jacaré de Bronze no Prêmio Caio, principal premiação no segmento de eventos.

A Rede Windsor Hoteis patrocina.

Bem legal. Parabéns.

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Revolta da Vacina

A praça Tiradentes é importantíssima para a história do Brasil.

Vários fatos marcantes aconteceram naquele espaço.

Grandes protestos durante a revolta da vacina, em 1904, por exemplo.

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Estátua de Dom Pedro I

Há pesquisadores que garantem que o artista plástico francês Auguste Rodin, no começo da carreira, contribuiu para a produção da estátua.

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Carlos Zéfiro e Nelson Cavaquinho

Foi no andar superior de um sebo da Tiradentes que Nelson Cavaquinho e Carlos Zéfiro se conheceram.

Os dois, juntos de Guilherme de Brito, compuseram uma das músicas mais incríveis de todos os tempos: “ A flor e o espinho”.

“Tire seus espinhos do caminho que eu quero passar com minha dor”, diz a composição.

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Revistinhas eróticas de Zéfiro

No sebo do Gordo, na praça Tiradentes, que a turma buscava revistinhas eróticas de Carlos Zéfiro.

Isso na década de 1970. Deu polícia e tudo.

Zéfiro é o nome artístico de Alcides Caminha.

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Palácio Tiradentes

Falou de Tiradentes, lembrei do Palácio Tiradentes.

Vale muito fazer uma visita guiada a hoje casa dos deputados estaduais.

O prédio, que é lindo, tem uma história impressionante.

Clique aqui para ter mais informações.
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