Rio, 14/07/2019 - Aniversário de 110 anos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Cinelândia, Centro do Rio Foto: Ricardo Cassiano/Agência O Dia
 - Ricardo Cassiano/Agência O Dia
Rio, 14/07/2019 - Aniversário de 110 anos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Cinelândia, Centro do Rio Foto: Ricardo Cassiano/Agência O Dia Ricardo Cassiano/Agência O Dia
Por Thiago Gomide
Ao invés do grandioso Theatro Municipal, uma lagoa.

Uma lagoa que lembra muito a do Rodrigo de Freitas.

Uma lagoa que era vizinha do mar. Uma lagoa, que dizem as más línguas, que guardava segredos e até o casco de uma embarcação naufragada.

A construção do Theatro Municipal demorou quatro anos. Pouco, pensando na realidade e nos desafios. Foi em cima da lagoa de Santo Antônio, havia muita instabilidade.

Cerca de 300 funcionários puseram de pé um dos prédios mais emblemáticos do nosso país.

O Municipal, como é conhecido, nasceu do sonho de inúmeras pessoas, em especial as ligadas à cultura.

Olavo Bilac, eleito “príncipe dos poetas” pela revista Fon-Fon, foi um dos maiores entusiastas. O dramaturgo Arthur de Azevedo, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, brigou até onde pode para sair do papel – infelizmente morreu um ano antes de ser inaugurada.

O escritor Lima Barreto era dos poucos que nadava contra a ideia, acreditando ser mais um “monstrengo” no centro da cidade, acompanhando a atual sede da Biblioteca Nacional.

Não dá para agradar a todos, apesar da beleza dos mármores carrara de diferentes cores, da elegante decoração comprada nos catálogos dos mais diferentes países mundo afora, dos lustres de cristal, dos detalhes em ouro, da imponente águia de cobre dourado, das esculturas de Rodolpho Bernardelli e da obra “A dança dos lobos”, pintada no teto por Eliseu Visconti.

O Theatro Municipal, com H por favor, ajudou a projetar o país para outro patamar cultural. Tínhamos em fim um grande palco na capital capaz de receber óperas, danças, intrínsecas peças...

Inspirado na “Ópera de Paris”, o Municipal foi inaugurado em uma data marcante para os franceses: 14 de julho, dia que se comemora a queda da bastilha. O ano foi 1909.

Quem cortou a fita e posou para aplausos foi o prefeito Sousa Aguiar, hoje nome de hospital, e o presidente Nilo Peçanha, hoje nome de avenida.

Mas quem resolveu tirar esse negócio do papel foi um conhecido político: Pereira Passos, o mesmo da reforma que mudaria a face do centro tentando dar ares europeus.

O projeto final, inclusive, é do Francisco de Oliveira Passos, filho do polêmico prefeito do começo do século XX.

O Theatro Municipal é um orgulho para o Rio de Janeiro, para a arte brasileira, para a reflexão cultural do mundo.

Uma peça no Municipal ganha outras cores. Uma ópera no Municipal desperta novos sentidos. Ouvir uma música da sétima fileira te conecta à beleza.

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Piano da Chiquinha Gonzaga

A maestrina Chiquinha Gonzaga vivia no Municipal.

O piano dela está exposto lá.

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Teatro Amazonas

Por causa da grana vinda da borracha, o Amazonas resolveu investir em uma grande sala de espetáculos.

Investimento em cultura é um dos pilares da identidade de um povo. É como você, muitas das vezes, se vende para o próximo.

O Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896.

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Lugares

São 2252 lugares. Não tem quem não se emocione de ver lotado.

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Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca

Uma orquestra formada por estudantes de escolas públicas municipais já conseguiu essa façanha.

Tocando ao lado de Elba Ramalho, a casa estava cheia.

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Reconhecimento necessário

Não valorizar o Municipal é demonstração evidente de deslocamento com o mundo civilizado.

Não há um país que não teria orgulho de contar com uma obra dessas.
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Coluna dedicada
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Essa coluna é dedicada ao meu tio, Cláudio Gomide, que me permitiu desde cedo a conviver com o universo teatral. 
Cresci correndo na coxia do Theatro Municipal Dom Pedro, em Petrópolis. 
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Triste ver como está.