Coisas do Rio
Coluna
Coisas do Rio
Thiago Gomide - thigomide@gmail.com

Vamos vencer o Coronavírus!

Coluna lembra de pessoas e momentos importantes da história do Rio de Janeiro que servem de inspiração para esse combate

Por Thiago Gomide

Cristo Redentor
Cristo Redentor -
1. Enfrentando a repressão, Tia Ciata conseguiu proteger rodas de samba nos fundos de sua casa na “Pequena África”.

2. Falecida no Rio de Janeiro e considerada mãe da enfermagem, Ana Neri não aceitou que os filhos fossem para a guerra do Paraguai e fez de tudo para acompanhá-los. Ana organizou os cuidados aos feridos, proporcionando uma sensação de família.

3. Conhecida como “túmulo dos estrangeiros”, a cidade não tinha perspectiva de enfrentar as doenças. Quando Oswaldo Cruz bateu de frente com varíola, febre amarela, peste bubônica, muitos não acreditavam que daria certo. O resultado nós sabemos.

4. Quando poucos davam a cara a tapa contra a escravidão, o escritor Machado de Assis enfrentou.

5. Tourada era um sucesso no Rio de Janeiro. Atraia público, tinha apoio político. Poucos se colocaram contra. O mais notório foi...Machado de Assis, afirmando que era sócio de todas as sociedades protetoras de animais.

6. Em 1919, o Carnaval após a Gripe Espanhola foi de arrepiar. Quem sobreviveu, se matou de tanta folia.

7. O português José de Seixas Magalhães e esposa protegeram pessoas escravizadas em seu Quilombo no Leblon. As festas do casal eram incríveis.

8. Um homem vestido à caráter caminha pelo centro da cidade escrevendo frases que evocam a paz. Profeta Gentileza é personagem polêmico, mas deixou como herança um slogan que é repetido aos mil ventos.

9. Apesar do sucesso como compositor, Cartola só foi gravar um disco com mais de 60 anos de idade.

10. Apaixonado por objetos históricos da antiguidade ao século 19, arqueólogo corre atrás de acervos, estimula doações e monta um Palácio Islâmico em Anchieta. Rico? Não, sonhador com foco.

11. Mesmo com dificuldades financeiras o comerciante e cenógrafo José da Costa construiu uma Torre Eiffel em...Madureira. Homenagem a Santos Dumont e promoção ao Carnaval de 1924. Tarsila do Amaral até se inspirou nessa ação resultando em um dos seus mais famosos quadros.

12. Igreja Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores foi atacada por tiros de canhão. Resistiu. E mais: guarda e expõe até hoje um projétil.

*
O que podemos aprender com esses fatos? 
De que não devemos ter medo, mas ao mesmo tempo respeitarmos o instante. Confiar nas autoridades, em especial médicas, é fundamental para pularmos essa etapa ruim. 
Proteger nos faz sermos diferentes em uma história tão marcada por agressões. Ter empatia nos faz sermos diferentes em uma história tão marcada por individualismo. Veja o Machado de Assis.  
Tirar o sonho do papel é indescritível. Sei que está complicado, mas vamos sonhar e planejar a vida após o maremoto. Para fazer um palácio é preciso da primeira pedra. 
Fazer "da queda um passo da dança", escreveu o mineiro Fernando Sabino. 
Não há idade para se reinventar. 60 anos faz parte do grupo de risco...deveria ser do risco de vida e não de morte. Nada de pensar que já atravessou tudo. 
O Rio de Janeiro já atravessou crises brabas. E passamos. E vamos passar por essa. Com união, foco e fé.
Que o carnaval de 2021 seja o melhor de todos. 
As balas que estão nos atingindo ficarão para a história. Vamos deixá-las expostas, as cicatrizes contam muitas coisas, mas vamos seguir o baile, a missa, o culto, a vida. 
*
Clareou
A música sempre nos salva. Nesse momento, trago Clareou, gravada por Diogo Nogueira. 
"A vida é pra quem sabe viver
Procure aprender a arte
Pra quando apanhar não se abater
Ganhar e perder faz parte
Levante a cabeça amigo a vida não é tão ruim
Um dia a gente perde mas nem sempre o jogo é assim
Pra tudo tem um jeito, e se não teve jeito
Ainda não chegou ao fim". 
*
Coluna dedicada
É impossível não acompanhar de maneira emocionada a batalha de diversas pessoas contra o Coronavírus, nas diversas pontas. 
Fica o respeito da coluna a todos esses guerreiros e guerreiras. 
Abraços especiais para Pedro Flexa, Rodrigo Abel e Allan Borges. 

Comentários