Coisas do Rio
Coluna
Coisas do Rio
Thiago Gomide - thigomide@gmail.com

Coronavírus: poesia como forma de resistência

Professores estimulam que colegas e estudantes recitem poesias como uma maneira de estimular a arte e enfrentar o duro momento; as redes sociais estão lotadas de vídeos inspiradores

Por Thiago Gomide

Professor Hugo Nepomuceno recintando poesia
Professor Hugo Nepomuceno recintando poesia -
A hashtag poesiasparaesperancar ( tudo juntinho, como manda o figurino) diz muito. Fica claro o interesse.

Contando com uma arte milenar, professores da rede pública municipal do Rio de Janeiro transformam as redes sociais em verdadeiras ágoras.

Alguns falam com mais desenvoltura. Outros, tímidos, quase engasgam. Todos sabem que o momento é de “abraçar com as palavras”, como diria o escritor colombiano Gabriel García Marquez.

O movimento ultrapassou o quadrado dos professores e está alcançando alunos e amantes das letras em geral. São centenas de colaborações.

Tem Vinicius de Moraes. Tem Chico Buarque. Tem Carlos Drummond de Andrade. Têm passagens da Bíblia. Têm poesias autorais.

Boa parte delas com a pessoa se filmando no celular. Caseiro, afetivo e direto.

Esta coluna ama esse tipo de ação. A arte nos mostra caminhos. A arte permite que fujamos.

Na quarentena da Peste Negra, dois clássicos foram criados: “Rei Lear”, de um tal de William Shakespeare, e “Decameron”, de um tal de Giovanni Boccaccio.

Parabéns a todos os envolvidos nesse movimento.
E se você, querido leitor, querida leitora, quiser participar... é só gravar um vídeo, postar nas redes sociais e escrever #poesiasparaesperancar

*

A quarentena de Gabriel García Marquez

História rápida que tem a ver com quarentena, criação e paixão.

Para escrever sua grande obra, “Cem anos de solidão”, Gabo ficou trancafiado no quarto durante meses.

Como escritor não tinha conseguido sucesso até então. Sustentava-se como jornalista, sua profissão de origem.

Gabo trancado e Mercedes Barcha, sua companheira de tantas décadas, segurando as economias do lado de fora.

O tempo foi passando e nada dele abandonar aquela quarentena escolhida. Sem trabalhar, dinheiro não mais pingava. A comida na mesa dava a sensação que estava tudo bem.

Mercedes foi vendendo o que podia. Depois foi para itens importantes. Na última fase, foi para aquilo que certamente seria duro de se desfazer.

Após quase um ano escrevendo, Gabo finalmente acreditava que a obra tinha alcançado seu ponto final.

Ao abrir a porta, percebeu que a casa estava vazia.

Para enviar a editora as páginas batidas numa velha máquina foi preciso vender a batedeira.

Nos Correios, uma surpresa: não tinha saldo suficiente para despachar todo material. Só foi possível metade do calhamaço.

A editora, depois da leitura, pagou rapidamente o que faltava.

“Cem anos de solidão” foi lançado em 1967 e vendeu milhões de cópias no mundo inteiro. O colombiano Gabriel García Marquez recebeu o Prêmio Nobel da Literatura em 1982.

No evento de entrega da honraria, ele fez um discurso que termina da seguinte maneira:

“Uma nova e avassaladora utopia da vida, onde ninguém será capaz de decidir como os outros morrerão, onde o amor provará que a verdade e a felicidade serão possíveis, e onde as raças condenadas a cem anos de solidão terão, finalmente e para sempre, uma segunda oportunidade sobre a terra”.

*

Chacal

Para terminar, fico com o poeta carioca tricolor Chacal:

Rápido e Rasteiro

Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.

aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida.
*
Obrigado
Agradecemos especialmente a professora Maria de Fátima Palomanes, que chamou nossa atenção. 
Você pode fazer como ela entrando em contato com a gente nos e-mails thigomide@gmail.com  ou thiago.gomide@odia.com.br ou através das redes sociais ou do jeito que for melhor pra você. 
 

Comentários