
Parece sinopse de capítulo da Armação Ilimitada versão para adultos.
O cenário era esse, com um elemento a mais: tentativa policial de combater o uso. Não podia fumar maconha na praia. Ou melhor, não podia e nem pode fumar maconha em canto algum.
Tá entendido?
Um grupo de 15, 16 pessoas, revoltado com o choque, resolveu distribuir panfletos à favor do debate da legalização. Junto entregavam apitos.
Dezenas de apitos. Centenas de apitos. Milhares de apitos comprados baratinhos no Saara, região de comércio popular no centro da cidade, foram dados na praia.
Foi criado até um slogan: “quem apita, amigo é". Boa sacada.
Chegava a polícia e era um apitaço. Se prendesse alguém, aí a galera apitava mais forte ainda.
As autoridades ficaram revoltadas com aquele deboche. O Secretário de Segurança Pública, o linha dura general Nilton Cerqueira, deu declarações que iria intensificar a perseguição aos apitos da maconha.
Câmeras de vídeos, caríssimas, foram usadas pra ver quem estava com o apito na boca. Ou a maconha na boca. Ou os dois.
Teve gente presa. Teve gente agredida. Teve acusação de formação de quadrilha. Teve flanelinha indo pra delegacia suspeito de vender bagana. Teve apito apreendido.
"Não pode apitar, meu Deus! Esquece o apito".
Ok, esqueceu-se o objeto, tão identificado com a ordem, que muitos policiais usam.
Brasileiro acha saída pra tudo e entrou em cena o assovio.
Até quem não sabia assoviar, aprendeu. Era uma nona sintonia de Bob Marley.
Claro que o debate, principalmente sobre a legalização da droga, saiu das areias, do calçadão e ganhou a mídia, os corredores do poder, o palácio do Governo.
Marcello Alencar era o Governador e a posição dele sobre esse fato foi impagável.
Quase deram um apito pro Governador.