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Thiago Gomide - thigomide@gmail.com

Fluminense só faz sofrer

Colunista admite que não dá para entender o futebol

Por Thiago Gomide

Jogador Matheus Vargas comemoram  o gol  durante jogo entre Atlético(GO) e Fluminense(RJ), válido pela Copa do Brasil ,no Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira, na cidade de Goiânia (GO),nesta quinta feira(24).
Jogador Matheus Vargas comemoram o gol durante jogo entre Atlético(GO) e Fluminense(RJ), válido pela Copa do Brasil ,no Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira, na cidade de Goiânia (GO),nesta quinta feira(24). -
A coluna quase não fala de futebol, mas não dá. O Fluminense não deixa.
Logo de cara, assumo que não entendo o futebol. E explico:
Em nenhum mercado sério um camarada que receba 80 ou 100 mil reais para cruzar e não sabe nem o que é bola seria contratado. Ou um cidadão que seja atacante e não faça um único tento seria mantido.
Só no futebol.
Você que recebe um ou dois salários mínimos por mês para entregar comida, para fazer limpeza...se você levar a marmita para empresa errada ou sujar a pia ao invés de resolver o problema, o que aconteceria?
Só no futebol isso é aplaudido. “Vamos lá, campeão!”. Campeão?
Em nenhuma empresa a gestão que não consegue um patrocinador permaneceria sem fortes questionamentos. Olha que não estou falando de patrocinador grande. Não conseguem o Boteco do Seu Zé ou a Fábrica da Dona Maria.
Só no futebol. Só no futebol.
Em nenhum mercado o reserva ganha mais que o titular. É a mesma coisa que pagar mais para o querido estagiário do que para o diretor chefe. Com todo o respeito à moçada mais jovem, evidente.
Só no futebol. 
Nem na birosca mais suja da face da terra ignora-se a vontade de vender, de sobreviver, de prosperar. É básico, né? Se não conseguir fechar o mês não recebe. No futebol não há problema. Perdeu? Vamos para próxima.
No futebol, um clube pode dever milhões que o responsável sai tranquilão. Nada de problema. Põe na conta da Instituição e vai ser feliz depois.
Só no futebol.
Em nenhum mercado sério a empresa que investe 100 reais de folha salarial fica tranquila quando perde espaço para alguma que deposita 4 reais.
Isso gera demissão, gera guerra, gera mudanças, gera o absurdo.
Só no futebol perder para um adversário que investe 5 balas juquinhas é tranquilo. “Faz parte do aprendizado”, alguns defendem.
Se estivéssemos em uma empresa, séria, comprometida com resultados, trocava boa parte do time do Fluminense e contratava os melhores do Aterro do Flamengo ou, fazia o óbvio, valorizava a garotada de Xerém.
Por não alcançar os meandros do futebol, costumo escutar: “você não entende que é preciso de jogadores que atraiam audiência”, “precisamos de jogadores que tragam patrocinadores”, “o time tá evoluindo” ou, a melhor, “qualquer palpiteiro acha que sabe de futebol”.
O Fluminense não tem patrocinador. O Fluminense tem uma meia dúzia de jogadores com sangue. Se os usurpadores meterem o pé ainda teremos que pagar a altíssima rescisão. Não ganhamos nada há anos.
Eles é que entendem de futebol. Prefiro estar do outro lado dessa imensa sabedoria.
Vamos lutar para não cair.
Tá tranquilo, não vão faltar vídeos de jogadores dançando no Tik-Tok. 

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