PUC completa 80 anos  - Divulgação ASCOM PUC - Fernanda Maia
PUC completa 80 anos Divulgação ASCOM PUC - Fernanda Maia
Por Thiago Gomide
Publicado 03/11/2020 18:40 | Atualizado 03/11/2020 18:45
Sem professores da PUC, muito provavelmente o Real que está no seu bolso, na sua carteira ou no seu sonho, não existiria.

Os economistas Pedro Malan, Armínio Fraga e Gustavo Franco são alguns daqueles que saíram da Gávea para ajeitar a inflação absurda que vivíamos. As trocas de moedas eram constantes.

O Real veio pra se estabelecer, tal qual a PUC.

Em 1940, cardeal Sebastião Leme, padre Leonel Franca, Dom Hélder Câmara e outros católicos expressivos lutavam para tirar do papel as Faculdades Católicas. Era um desejo ousado, principalmente por causa da grana.

O empresário Guilherme Guinle, dono do Porto de Santos, preocupado com a educação, foi um dos que contribuiu financeiramente para o projeto, além de ajudar no convencimento de outros ricos e influentes.

Guilherme não era católico. Defendia que o plano apresentado ajudaria o país.

Marcada pela ideia de ser uma universidade da elite carioca, a PUC tem em seus corredores cerca de 50% de bolsistas. A vereadora Marielle Franco, brutalmente assassinada em 2018, é um dos exemplos mais famosos.

A PUC começou em Botafogo, ao lado do Colégio Santo Inácio. Não era pra menos: os jesuítas, conhecidos por serem estudiosos, estavam a frente das duas instituições.

Só em 1955 que o campus da Gávea ficou pronto. Por aqueles famosos pilotis até o presidente americano John Kennedy passou.

Alguns anos depois a PUC seria palco de intensos debates pela democracia. A proteção aos estudantes permitia que houvesse, em pleno regime militar, com censuras e torturas, protestos e manifestações.

Lembro do meu primeiro dia de estudante de jornalismo. Entrei pelo portão da Marquês de São Vicente. Com 17 anos nas costas e os sonhos mais incríveis, e as dúvidas mais cruéis, me perdi naquele labirinto de possibilidades.

Me perdi e me encontrei frente a frente com o “Solar Grandjean de Montigny”. Impossível esquecer.

O casarão foi construído, como o nome sugere, pelo arquiteto francês Auguste Grandjean de Montigny, um dos nomes mais importantes da chamada Missão Francesa.

A vila dos diretórios reúne as também conhecidas casinhas, ou centros acadêmicos. Em frente ao de comunicação sempre reinou o Toninho, com os salgados, doces e sucos.

Para alguns, aquele espaço era a PUC raiz e o pilotis a PUC nutella.

No primeiro dia de aula, aquele que me perdi, conheci o Oswaldo. Tinha vindo de Cabo Frio com o dinheiro da primeira mensalidade. Ex-garçom e já dando expediente como jornalista na região dos Lagos, só conseguiria seguir na universidade se a tão sonhada bolsa surgisse. Caso contrário, iria voltar para casa da mãe tentar a sorte nas antigas bandas.

Oswaldo se formou jornalista, publicitário e, depois de passar pelas principais redações do Rio de Janeiro, foi para o universo mais bem sucedido da bolsa de valores.

Nesses 80 anos, Marielles, Oswaldos e Quacks cruzaram com Marinhos, Safras e Malans. Isso que faz, como defendeu Guilherme Guinle, o futuro do Brasil.

A PUC permite sonhar. Os sonhos não envelhecem.

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Melhor particular do Brasil
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Segundo recente ranking da Times Higher Education, PUC-Rio está entre as dez melhores universidades da América Latina. 

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Missão Francesa

Na cabeça de Dom João VI, o Rio de Janeiro precisava de novos caminhos artísticos. Por causa disso, um grupo de artistas, arquitetos e pensadores franceses foram convidados e e vieram para então capital.

A missão francesa, como ficou conhecida, trouxe Grandjean, Debret, Taunay e tantos outros.

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Obrigado

Quando meu pai faleceu e a Universidade soube, fui chamado para uma conversa.
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Minha bolsa mensal vinha junto de uma preocupação constante comigo e com minha mãe.
É isso.
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Muito obrigado.