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Dois dias de angústia em busca de soro antirrábico

Professor mordido por cachorro em Nova Iguaçu só conseguiu no Rio a medicação específica contra a zoonose que mata

Por MARIA INEZ MAGALHÃES

Edson foi mordido no pé direito e só tomou o soro dois dias depois
Edson foi mordido no pé direito e só tomou o soro dois dias depois -

Rio - Mordido pelo cachorro da namorada no pé direito, no sábado de Carnaval, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, o professor de Matemática Edson Maciel só conseguiu tomar o soro antirrábico na segunda-feira após o ataque no Hospital Lourenço Jorge, no Rio. Segundo Edson, ele tentou atendimento em várias unidades de saúde da cidade mas foi informado que o medicamento estava em falta. A raiva é uma zoonose e pode matar.

Antes de ir para o Rio, ele conseguiu ser atendido no Hospital da Posse, em Nova Iguaçu. "Passei o final de semana com anti-inflamatório receitado pelo médico. Meu pé sangrava muito, estava vermelho e inchado, mas só consegui tomar o soro e a antitetânica na segunda-feira depois de ir também a algumas UPAs e postos no Rio, que me indicaram o Lourenço Jorge. Foi um sufoco, uma peregrinação", lembrou ele, que ainda se recupera do ferimento.

O Hospital Lourenço Jorge é um dos três no Rio que aplicam apenas o soro. Os outros hospitais são o Pedro II, em Santa Cruz, e o Souza Aguiar, no Centro. Já as vacinas são dadas nos postos de saúde e clínicas da família.

A dificuldade de Edson é a de muitas vítimas que são mordidas por cães, gatos ou morcegos, os transmissores da raiva. O ferimento deve ser lavado com água e sabão neutro, e a vítima imediatamente tem que procurar um médico mesmo que o cão seja conhecido e vacinado.

O soro antirrábico só pode ser dado em unidades hospitalares, abertas 24 horas. Já a vacina é aplicada nos postos, que funcionam de segunda à sexta-feira. Quem vai avaliar qual o procedimento a ser adotado é o médico. "A vacina contra raiva em humanos funciona como profilaxia. Já o soro tem efeito rápido no oganismo", explicou a veterinária e membro do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio (CRMV-RJ), Márcia Andréa de Oliveira Souza.

A Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) do Rio esclarece que as unidades de Atenção Primária que oferecem a vacina antirrábica e as unidades hospitalares que aplicam o soro antirrábico estão abastecidas com doses suficientes para atender a população.

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