'Parasitas são operadores de mercado que ganham dinheiro no Estado', diz líder de servidores

Categorias do serviço público reagem à fala do ministro Paulo Guedes de que 'servidor virou parasita' e estudam entrar na Justiça com ação de assédio contra ministro

Por PALOMA SAVEDRA

Ministro Paulo Guedes criticou reajustes salariais ao funcionalismo em evento realizado na FGV
Ministro Paulo Guedes criticou reajustes salariais ao funcionalismo em evento realizado na FGV -
O funcionalismo público reagiu à declaração dada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta sexta-feira, quando comparou o servidor a um parasita. "O hospedeiro está morrendo. O cara virou um parasita", disse. Em contrapartida, entidades de diversas categorias estão repudiando a fala de Guedes. E estudam ainda mover na Justiça uma ação de assédio contra o ministro. 
Presidente do Fórum Nacional Permanente das Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) — que representa mais de 200 mil servidores públicos —, Rudinei Marques classificou a crítica como "uma agressão gratuita e desmedida que insulta os 12 milhões de servidores públicos brasileiros". E disse ainda que parasitas são operadores de mercado que vão para o setor público. 
"Se há parasitas na administração pública são os operadores de mercado que vêm ganhar dinheiro no Estado em vez de se preocuparem com a prestação de serviços de boa qualidade para a população. O colapso no atendimento do INSS é um atestado da incompetência do sr. Paulo Guedes para tratar questões triviais da administração pública", declarou Marques. 
Rudinei Marques (à esquerda), presidente do Fonacate, divulgará o estudo feito em parceria com a frente parlamentar, coordenada por Israel Batista (PV-DF), à direita - Divulgação Fenamp
Ele disse isso pouco antes de o Fonacate emitir nota pública em repúdio à declaração do ministro.
Rudinei Marques afirmou ainda que já está acionando o departamento jurídico da entidade para avaliar a possibilidade de uma ação contra assédio institucional.
O presidente do fórum lembrou que, na próxima terça-feira, haverá audiência pública da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público, na Comissão de Direitos Humanos do Senado, e que "a ofensa do ministro" será denunciada no encontro.
Na ocasião, também será lançado um novo estudo sobre o serviço público nos estados e municípios. 

A frente é coordenada pelo deputado Professor Israel Batista (PV-DF), que tem defendido a estabilidade de servidores, e já disse que os trabalhos da frente são para assegurar direitos do funcionalismo, além de melhorar a prestação de serviços públicos. 
Guedes diz que maioria da população é a favor de demissão
No seminário na FGV, Paulo Guedes também criticou os reajustes automáticos. "A população não quer isso (correção remuneratória anual) Inclusive, 88% da população brasileira é a favor de demissão no funcionalismo público", declarou ele em referência à pesquisa recente do Datafolha.
"O hospedeiro está morrendo. O cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático", disparou. 
Repúdio de entidades
Entidades estão publicando notas de repúdio à fala do ministro. A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco Nacional), por exemplo, declarou que "repudia veementemente as declarações do Sr. Paulo Guedes, Ministro da Economia, que comparou os servidores públicos a parasitas".
"Se partilhássemos da descompostura do ministro, poderíamos compará-lo a um serviçal do mercado, que promove a falência do Estado em detrimento do povo brasileiro. Falta não só elegância ao ministro Guedes, como patriotismo", diz a nota. 
A Unafisco disse que a classificação feita por Guedes é "rasa e generalizada, porque os auditores fiscais da Receita Federal exercem com orgulho e lisura suas atribuições sempre buscando a justiça fiscal e a proteção da economia nacional, seja na fiscalização e arrecadação dos tributos internos, seja na fiscalização do fluxo de nosso comércio internacional e de nossas fronteiras".
E concluiu, dizendo que o ministro vem praticando "assédio institucional" que já ultrapassa os limites legais e merece reação à altura.
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Ministro Paulo Guedes criticou reajustes salariais ao funcionalismo em evento realizado na FGV Cris Vicente/Divulgação
Rudinei Marques (à esquerda), presidente do Fonacate, em evento de lançamento da frente parlamentar, coordenada por Israel Batista (PV-DF), à direita Divulgação Fenamp

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