Projeto lista itens mais poluentes

Em manguezais da Baía de Guanabara, 83% dos objetos que sujam o ambiente são de resíduos plásticos

Por André Arraes*

Projeto Uçá realizou a operação LimpaOca de manguezais da Baía de Guanabara
Projeto Uçá realizou a operação LimpaOca de manguezais da Baía de Guanabara -

O projeto Uçá, uma iniciativa da ONG Guardiões do Mar, com patrocínio da Petrobras, constatou que dos dez itens que mais poluem os manguezais da Baía de Guanabara, 83% é composta por resíduos plásticos.

Os dados foram obtidos ao longo de cinco anos da Operação LimpaOca, uma ação de limpeza que engaja pescadores e catadores na retirada de resíduos durante o período de defeso do caranguejo-uçá, época de reprodução do animal, quando não é permitida a coleta, comercialização, e nem consumo do animal.

Os 30 trabalhadores engajados na atividade recebem uma bolsa-auxílio de R$700 para coletar os resíduos durante duas manhãs semanais, além de R$ 50 de ajuda de custo para chegar até os locais de coleta.

O item mais encontrado é a garrafa PET, seguida pela sacola plástica e o isopor. Não só os já conhecidos 'vilões' do meio ambiente foram encontrados pelos catadores, mas também os inusitados, como um banheiro químico, mais de 200 pneus e mais de 100 capacetes de moto.

A última edição da operação foi realizada de novembro de 2019 a janeiro de 2020 e retirou mais de 10 toneladas de resíduos sólidos em uma área de 10 hectares da Baía de Guanabara.

Segundo o presidente da ONG Guardiões do Mar e coordenador do Projeto Uçá, Pedro Belga, a falta de educação ambiental e o consumismo são os principais pontos para a realidade que se vive hoje.

"Vivemos na era da informação, mas nos falta conhecimento, as pessoas não estão conscientes da gravidade de todas estas questões, de aquecimento global, enchentes. Elas não conseguem enxergar que aquele lixo que entope o bueiro é o mesmo lixo que torna possível a cheia das ruas. Eu não vejo problema em consumir, eu vejo problema na forma em que se consome. As pessoas compram coisas que não necessitam, em demasia, e obviamente, há um momento de descartar estas coisas e nem sempre é da maneira correta".

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