Juliano Cazarré se revoltou com crítica feita por Eduardo Moscovis à sua fala em debate sobre feminicídioReprodução / Instagram
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Moscovis ainda relacionou a discussão à situação de mulheres, homossexuais e transexuais, que, segundo ele, vivem em estado de alerta diante da violência. "Aonde é que a gente se sente ameaçado que possa começar a se aproximar do que elas passam? Então não tem, sabe, cara? Assim, eu começo a ficar meio irritado", afirmou.
Cazarré contou que encontrou o trecho da entrevista depois de passar 24 horas no hospital com a filha, Maria Guilhermina. Ao ouvir a fala do colega, negou imediatamente a declaração atribuída a ele. "A resposta desse meu colega de profissão é: 'Bom, o Juliano Cazarré é uma pessoa (...) falando o que ele falou, que os assassinatos... as mulheres matam mais homens...' Eu não falei isso!", rebateu.
Segundo Cazarré, sua fala anterior no "GloboNews Debate" tinha como ponto central a violência de maneira mais ampla. "O que eu falei naquela entrevista da GloboNews (...) foi o seguinte: eu falei, o Brasil mata muito. Não mata só mulher. Mata mulher, mata homem, mata branco, mata preto, mata velho e mata criança", declarou.
No pronunciamento desta sexta, Cazarré reconheceu ter apresentado uma estimativa sobre homens mortos por mulheres, mas afirmou que isso não significava dizer que mulheres seriam mais violentas ou matariam mais. Ele também argumentou que não seria possível estabelecer um número exato devido à quantidade de homicídios cuja autoria, segundo ele, não foi esclarecida.
"Eu não tô dizendo que as mulheres são mais violentas ou matam mais! Eu só dei uma porr* de um número, porque eu tava lá há uma hora contra três pessoas", reforçou.
Cazarré também contestou as críticas feitas ao "Farol e a Forja", evento voltado para homens. Ele negou que as palestras tenham defendido supremacia masculina ou atacado mulheres. "Não teve nenhuma palestra no palco que foi masculinista, que falou de alguma supremacia dos homens. Nenhuma! Nenhuma palestra no palco falou mal das mulheres", afirmou.
Mais adiante, explicou como enxerga a proposta da iniciativa. "Eu fiz um evento para termos homens melhores! Eu fiz um evento para que a gente tenha menos ausência paterna, menos homem abandonando a família, menos homem que só trabalha e não vê os filhos, homens que encontrem um propósito na vida que não seja só ganhar dinheiro e com*r mulher!", declarou.
O tom subiu quando o ator passou a se dirigir diretamente a Moscovis. "Isso não é coisa de homem, velho. Você tá nervoso, tá put* porque o Brasil tem assassinato pra caralh* de homem, de mulher, reclama com quem manda nesta porr* e não comigo! Ou vem falar comigo, então! Cara a cara!", disparou.
Cazarré também revelou que já trabalhou com o colega e citou a relação entre os dois nos bastidores. "Porque eu fiz uma novela com você e você não vinha nem me cumprimentar direito", acrescentou.
Ao fim do pronunciamento, o ator afirmou que continuará tratando normalmente pessoas do meio artístico que o criticaram. "Se eu encontrar num próximo trabalho uma das pessoas que vieram me xingar no meu perfil (...) eu vou continuar tratando vocês bem. Eu vou continuar cumprimentando vocês, normalmente. Porque eu não sou o radical. Vocês é que são", concluiu.
Juliano Cazarré está surtando pq Eduardo Moscovis apenas falou a realidade sobre os posicionamentos estapafúrdios que ele teve sobre feminicídio. Eduardo apenas respondeu o questionamento feito pelo jornalista. pic.twitter.com/a5YDEuT02r
— Dan Pimpão (@DanPimpao) September 12, 2026
Entenda o contexto
A controvérsia teve origem na participação de Cazarré no "GloboNews Debate", dedicado à masculinidade e ao papel do homem na sociedade. Durante a discussão, ao ouvir a informação de que o país havia registrado cerca de 1,5 mil feminicídios, o ator respondeu mencionando uma estimativa de aproximadamente 3 mil homens mortos por mulheres no mesmo período.
Na ocasião, a fala foi usada por Cazarré para argumentar que a violência, num geral, no Brasil, não atinge apenas mulheres. A comparação, porém, foi questionada ainda durante o programa. A psicanalista Vera Iaconelli afirmou que não conhecia o dado apresentado pelo ator.
Na sequência, Ismael dos Anjos destacou que feminicídio é uma categoria específica de crime e que o número mencionado no debate não correspondia ao total de mulheres assassinadas por homens, afirmando que seria muito maior se esse fosse o caso.
A repercussão levou Leandra Leal a se manifestar nas redes sociais. A atriz afirmou que dados que considera distorcidos não deveriam ser tratados apenas como uma opinião quando são utilizados para sustentar um argumento em rede nacional.
"Como é que a gente vai lidar com a fake news? Como é que a gente vai combater a fake news? (...) O jornalismo, ele não pode permitir que sejam apresentados dados distorcidos, que não são reais, não são verdadeiros, para comprovar um ponto de vista", afirmou.
Leandra também defendeu que a correção das informações não ficasse apenas sob responsabilidade dos convidados, mas fosse incorporada de maneira mais clara pela própria mediação do programa. "Já era para ter, né? Até em debate político tem checagem de fatos", disse.
A atriz ainda alertou para o alcance que uma informação apresentada em um programa de televisão pode ganhar posteriormente nas redes sociais. "É muito perigoso quando um dado distorcido é colocado dentro de um programa de TV e depois ele é replicado, amplificado pela internet, e ele começa a ganhar uma roupagem de como se ele fosse verdadeiro, e não é", declarou.
Na legenda do vídeo, Leandra resumiu a crítica: "Fake news é fake news. Uma mentira repetida mil vezes não vai virar verdade".
