
Gabriel Haddad e Leonardo Bora viram de perto a perfomance do ator Átila Bezerra como o personagem principal de "Joãozinho da Goméia - de filho do tempo a Rei do Candomblé". A julgar pelos aplausos, a dupla aprovou a montagem.
“Nosso trabalho se baseia na poética, como é essa peça. A peça busca mostrar essa poeticidade e a força que tem esse personagem. Nossa linha de enredo busca isso. O enredo da Grande Rio pra 2020 é uma construção coletiva permanente. Nós estamos conversando com diversas pessoas que tiveram contato com o Joãozinho. Pessoas que guardam a memória dele. Estivemos aqui em Caxias, numa feijoada, conversando com pessoas que participaram do enterro do João. Fomos também até o local onde era o terreiro dele, em uma parceria com o Museu Nacional”, explica Leonardo.
A expectativa dos carnavalescos é fazer com que a comunidade caxiense se sinta representada durante a passagem da agremiação pela Marquês de Sapucaí, já que a temática africana era um desejo antigo dos componentes da agremiação. Na década de 90, a Grande Rio se destacou com enredos como “Águas claras para um Rei Negro”, de 1992, e “Os santos que a África não viu”, de 1994.
Desde então, a escola não apresentou um enredo totalmente afro no Sambódromo.
“A negociação desse enredo com a escola não foi tão difícil. Ao mesmo tempo em que a gente foi analisando umas propostas que surgiram, nós íamos desenvolvendo esse enredo sobre o Joãozinho da Gomeia. Quando foi anunciado, a gente já tinha sinopse, logo, alguns figurinos desenhados, ideias de alegorias... Era o enredo que a gente queria fazer pra Grande Rio por essa questão de pertencimento. A comunidade tem que se identificar com esse desfile”, afirma Gabriel Haddad.
Figura polêmica, Joãozinho da Goméia era negro, homossexual, artista e apaixonado pelo carnaval. Baiano de Inhambupe, no interior da Bahia, João viu a vida se transformar quando ainda criança foi à cidade de Salvador em busca da cura para uma doença que o atormentava. Iniciou a trajetória religiosa em 1931 e levou a dança dos Orixás para os palcos de teatros de Salvador. Em 1946, mudou-se para Caxias.
“Conheci o Joãozinho por causa da Grande Rio”
Em 2007, a Tricolor levou para a Avenida um enredo sobre a história do município de Duque de Caxias. O desfile deu um vice-campeonato para a Grande Rio e abordou um pouco sobre a trajetória de Gomeia. Foi ali que Átila passou a conhecer melhor a história do famoso babalorixá.
“A Grande Rio é a culpada disso. A primeira vez que ouvi falar de Joãozinho foi através da escola no enredo sobre a história de Duque de Caxias. Quem é esse cara? Foi ali que acordei. Guardei aquilo. Tempos depois começaram a falar sobre o centenário do João. E eu voltei a pensar nele. Aí fui lendo, pesquisando e falei que tinha que fazer algo sobre ele. Guardei de novo. Até que o pessoal do Gomeia Galpão Criativo me chamou pra fazer uma performance de sete minutos na inauguração do espaço. A partir disso eu falei que tinha que construir um espetáculo”, conta Átila.
A peça “Joãozinho da Goméia - de filho do tempo a Rei do Candomblé" fica em cartaz em Caxias apenas até este domingo, dia 7 de julho.
SERVIÇO:
De 21 de junho a 7 de julho
Sextas e sábados às 20h
Domingos às 18h - Local: Goméia Galpão Criativo (Rua Dr. Lauro Neiva, nº 32 - Centro de Caxias)
Duração: 50 min
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Classificação indicativa: Livre
Espetáculo sujeito a lotação.
Mais informações: joaozinhodagomeiateatro@gmail.com
FICHA TÉCNICA:
Texto e direção: Átila Bezerra
Com Átila Bezerra
Percussão e figurinos: Drika Rodrigues e Tauana Faria
Iluminação e ambientação: Jon Thomaz
Operador de luz - assistente: Bruno Rangel
Fotografia: Antonio Dourado
Arte: Lucas Bileski
Assistente de produção: Flávia Eloah Barsan







