Indio da Costa (PSD) não exerce mandato, após ter concorrido ao Governo do Rio nas eleições de 2018 - Alexandre Brum / Agencia O Dia
Indio da Costa (PSD) não exerce mandato, após ter concorrido ao Governo do Rio nas eleições de 2018Alexandre Brum / Agencia O Dia
Por CÁSSIO BRUNO

Rio - Dos 46 deputados federais do Rio, 12 declararam ter patrimônio acima de R$ 2 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Outros 10 disseram ter pelo menos R$ 1 milhão em bens. Toda a bancada fluminense concorrerá à reeleição ou a outros cargos, como presidente, governador e vice-governador, deputado estadual ou a suplente ao Senado. Na lista de bens dos parlamentares, imóveis, empresas, salas comerciais, veículos, embarcações e investimentos financeiros, entre outros.

O salário de um deputado federal é de R$ 33,7 mil, fora os descontos, segundo a Câmara. Mas boa parte deles atua em outros negócios: são empresários, advogados ou comerciantes, por exemplo.

O deputado mais rico é Indio da Costa (PSD), candidato ao governo do estado. Este ano, ele declarou ter R$ 12,2 milhões. Desse valor, R$ 10,4 milhões são referentes a uma mansão construída no Jardim Botânico, bairro nobre da Zona Sul. Indio registrou ainda R$ 1,7 milhão relacionados a uma empresa. Em 2014, apresentou patrimônio de R$ 5,3 milhões.

"A constituição do meu patrimônio envolve recursos das minhas empresas privadas, além do que recebo como deputado federal. Lembrando que, como advogado, já fui sócio dos maiores escritórios de advocacia do Brasil, onde ganhei muito bem. Está tudo declarado no meu imposto de renda. Tudo fruto de trabalho e investimentos", justificou Indio.

Sérgio Zveiter (DEM), com R$ 11,1 milhões, aparece em seguida. Ele tem apartamento, terreno, embarcação, sala comercial, joias, obras de arte e quadros. Zveiter é candidato a uma das duas suplências ao Senado na chapa de Cesar Maia (DEM), atualmente vereador. Há quatro anos, porém, a soma dos bens de Zveiter era maior: R$ 14,9 milhões. Procurado pelo DIA, o parlamentar não foi encontrado.

O terceiro mais rico é Leonardo Picciani (MDB), ex-ministro do Esporte do governo Michel Temer (MDB). O deputado possui R$ 9 milhões. Filho do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (MDB), preso na Operação Lava Jato, Leonardo é um dos sócios da Agrobilara Comércio e Participações, empresa da família e também alvo da Lava Jato. Em 2014, o parlamentar informou ter R$ 7,2 milhões.

"A evolução se deu praticamente no mesmo nível da inflação", disse Leonardo Picciani, em nota.

DINHEIRO EM ESPÉCIE

Quatro deputados informaram ter dinheiro vivo guardado: Arolde de Oliveira (PSD), candidato ao Senado, R$ 400 mil; Áureo (Solidariedade), R$ 370 mil; Felipe Bornier (PROS), R$ 347,4 mil; e Wadih Damous (PT), R$ 53 mil. Os últimos três disputarão novamente uma cadeira à Câmara Federal.

Como revelou O DIA em 27 de agosto, além dos recursos em espécie declarados, Arolde possui quatro apartamentos e salas comerciais. É dono do Grupo MK Comunicação, que inclui uma gravadora, uma rádio, uma editora e portais de informação, tudo voltado ao segmento evangélico .Os bens do deputado somam R$ 6,6 milhões.

À época, questionado pelo DIA sobre os R$ 400 mil, Oliveira se irritou: "Não é da sua conta. Mas não é para usar na campanha".

PASTOR DOBROU RIQUEZA

Filho do ex-prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier (PROS), Felipe Bornier (PROS) declarou R$ 4,6 milhões. Em 2014, tinha R$ 4,4 milhões. Perguntado sobre os R$ 347,4 mil em dinheiro vivo, o parlamentar, candidato à reeleição, disparou: "Sempre fui empresário. Não dependo da política. Acho que você deveria me perguntar sobre os meus projetos. Isso (saber sobre o dinheiro guardado) não agrega em nada. Só me ofende".

Em nota, Áureo, com patrimônio de R$ 2,4 milhões, disse que "todos os rendimentos são compatíveis com o imposto de renda. Quanto aos R$ 370 mil (em espécie) referidos, trata-se de recurso próprio, igualmente declarado junto à Receita Federal".

Wadih Damous atendeu o telefonema do DIA. Mas, ao saber o assunto da reportagem, a ligação caiu. Em seguida, o celular estava desligado. Seus bens foram de R$ 2,4 milhões para R$ 3 milhões.

Ezequiel Teixeira (Podemos) dobrou o patrimônio. Em 2014, tinha R$ 2,1 milhões. Este ano, possui R$ 4,1 milhões. Tem dois apartamentos, duas embarcações, um terreno, um veículo de R$ 169 mil e uma poupança de R$ 1,2 milhão.

Em nota, Teixeira disse que o patrimônio corresponde ao salário de deputado e da aposentadoria. Afirma ser pastor há 40 anos, com livros, CDs e DVDs. Revelou ainda receber dinheiro para pregar em igrejas.

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