Às vésperas da eleição, falsas notícias ganham força tentando confundir o eleitor

Veja como saber o que é verdade e mentira

Por GUSTAVO RIBEIRO

Cuidado para não dar uma de Pinochio nas eleições
Cuidado para não dar uma de Pinochio nas eleições -

Rio - Além das notícias falsas nas redes sociais sobre os candidatos, ganharam força às vésperas do primeiro turno as fake news sobre as regras da votação. Uma das mais recentes diz que o voto é descartado se a pessoa votar apenas no presidenciável e em branco nos demais cargos. É importante ficar atento para não replicar as mensagens não confiáveis, que podem confundir bastante o eleitor e até influenciar nos resultados da eleição.

A mensagem sobre o voto para presidente parece ter sido escrita por alguém que passou por treinamento da Justiça Eleitoral e afirma: "Se votar só em presidente, e votar em branco nos outros, o voto é tido como parcial. Logo, seu voto é anulado". O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclareceu, no entanto, que o eleitor pode votar para apenas um dos cargos que estão sendo disputados e anular ou votar em branco para os demais, sem prejuízo para o voto já registrado. O autor da falsa notícia só não sabia que o voto para presidente é o último na urna.

Outra farsa virtual tem levado o eleitor a crer que poderá votar mesmo se não tiver feito a biometria nas cidades onde o registro era obrigatório. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), em sete municípios do Rio onde o cadastramento biométrico já é obrigatório, os eleitores que não compareceram ao procedimento no prazo não poderão votar. As cidades são Búzios, Niterói, Rio das Ostras, São João da Barra, Queimados, Trajano de Moraes e São Sebastião do Alto.

Mais 70 mil pessoas estão nessa condição no estado. A regularização só será possível após 5 de novembro. Na capital e demais cidades fluminenses, os eleitores que não cadastraram a biometria poderão votar normalmente, desde que o título não esteja cancelado ou suspenso.

Desde 2010 uma corrente que defende o voto nulo diz que, se essa opção alcançar a maioria, a eleição é anulada. Na verdade, uma eleição só é cancelada quando a maioria dos votos fica nula em razão de irregularidade e cassação da chapa vitoriosa. Se isso não acontecer, simplesmente os votos serão descartados, beneficiando outro candidato mais votado.

Até profecia de Chico Xavier foi inventada

As fake news sobre os candidatos pipocam de todos os lados. Ontem, Fernando Haddad (PT) desmentiu ter dito que o Estado pode escolher o gênero das crianças depois que elas fazem 5 anos. Já sua vice, Manuela D'Ávila, explicou que não vestiu camisa com a frase "Jesus é travesti". A Federação Espírita Brasileira negou que o médium Chico Xavier previu a eleição de Jair Bolsonaro (PSL). Apoiadores destacam texto atribuído ao médium que diz que "vai aparecer um homem franco, sincero e leal" como se fosse Bolsonaro, mas a mensagem não tem autoria comprovada. Um áudio que seria de Bolsonaro xingando seu vice e uma enfermeira é falso, assim como declarações atribuídas a ele contra nordestinos. Uma postagem diz que a foto do ato na Cinelândia contra Bolsonaro no último sábado foi manipulada para parecer lotado, o que não é verdade. Outra imagem mostrava a manifestação a favor dele lotada, mas era da Jornada Mundial da Juventude.

Checar se houve divulgação na imprensa tradicional

Especialista em Fake News, Tania Fernanda Prado Pereira, diretora da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, dá dicas para o eleitor evitar cair nas notícias falsas e não repassá-las. "O primeiro passo é desconfiar de mensagens em tom de alerta como 'Espalhe para o máximo de pessoas possível', 'Urgente!' ou com conotação de que é um assunto que a imprensa não está falando. Depois confira na imprensa tradicional e em sites que desvendam boatos. Também é possível pesquisar as palavras-chave no Google". Informações sobre regras do voto estão no site do TSE. "Notícias falsas sempre existiram, mas estão ultradimensionadas por conta das redes sociais, que as viralizam e geram desinformação e prejuízo às campanhas. O problema também está acentuado porque há uma polarização muito forte este ano e uso de robôs", aponta o advogado eleitoralista Luciano Santos, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

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