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Ministro do TSE suspende propaganda de Haddad sobre coronel Ustra

Inserção de Haddad afirma que a ditadura militar 'torturou e matou milhares de brasileiros' e que o 'Coronel Brilhante Ustra foi um sanguinário torturador'

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Bolsonaro durante votação de impeachment de Dilma Rousseff, ao fazer discurso favorável ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra
Bolsonaro durante votação de impeachment de Dilma Rousseff, ao fazer discurso favorável ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra -

Brasília - O ministro Luís Felipe Salomão, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu a um pedido da campanha de Jair Bolsonaro (PSL) e suspendeu nesta quarta-feira a veiculação de uma inserção do candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, sobre a ditadura militar e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Para Salomão, a peça publicitária "ultrapassou os limites da razoabilidade e infringiu a legislação eleitoral". O ministro fixou uma multa de R$ 50 mil caso a coligação "O Povo Feliz de Novo" (PT/PCdoB/PROS) descumpra a decisão judicial.

A inserção de Haddad afirma que a ditadura militar "torturou e matou milhares de brasileiros" e que o "Coronel Brilhante Ustra foi um sanguinário torturador". A peça publicitária também usa uma fala de Bolsonaro afirmando que é "favorável à tortura" e sustenta que o coronel é ídolo do candidato do PSL à Presidência da República. "Quem conhece Bolsonaro não vota nele", finaliza a inserção.

"Reafirmo que a distopia simulada na propaganda, considerando o cenário conflituoso de polarização e extremismos observado no momento político atual, pode criar, na opinião pública, estados passionais com potencial para incitar comportamentos violentos", avaliou o ministro.

"Na forma do dispositivo legal invocado, observando a sequência das cenas e a imputação formalizada ao candidato impugnante e seus eleitores/apoiadores, percebo que a peça televisiva tem mesmo potencial para 'criar, artificialmente, na opinião pública, estados mentais, emocionais ou passionais'", concluiu o ministro, em referência a dispositivo do Código Eleitoral.

Salomão ressalta que a inserção reproduz trechos do filme "Batismo de Sangue", "que apresenta cenas muito fortes de tortura". "Segundo a classificação indicativa realizada pelo Ministério da Justiça, o conteúdo da mídia, diante das cenas de violência, destina-se à faixa etária acima dos 14 anos, e só poderia ser veiculada, na televisão, após às 21h", observou Salomão.

"Desse modo, é forçoso reconhecer a inviabilidade de sua transmissão, uma vez que as inserções ocorrem ao longo da programação normal das emissoras, distribuídas entre as 5h e 24h", completou o ministro.

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