Primeira tarde de Horário Eleitoral Gratuito teve farpas e promessas

Crivella falou mal de emissoras de TV e das dívidas da prefeitura, Paes citou nominalmente prefeito e Wilson Witzel

Por O Dia

Crivella direcionou suas críticas aos seus antecessores na prefeitura
Crivella direcionou suas críticas aos seus antecessores na prefeitura -
Rio - Na primeira tarde de horário eleitoral gratuito na TV, logo às 13h, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), em campanha pela reeleição no cargo, voltou suas garras para os ocupantes que estiveram antes dele na cadeira.

"Quando assumi tinha muitos sonhos mas descobri uma cidade cheia de obras superfaturadas, dezenas de funcionários condenados por corrupção e contratos absurdos pra pagar. A receita caiu quase R$ 10 bilhões, os empréstimos chegaram R$ 5 bilhões. Total: R$ 15 bilhões a menos para cuidar da cidade", afirmou o prefeito e candidato à reeleição, que trocou o slogan "cuidar das pessoas" pelo "desistir jamais". E ainda reclamou da maneira como sua administração vem sendo coberta pelas estações de TV.

"Nos próximos dias você vai o que essa emissora escondeu de você, porque não dei os milhões de publicidade que eles recebiam na gestão passada", reclamou, afirmando também que não deixou o Rio quebrar e enfatizando também a pandemia de Covid-19, dizendo que comprou "centenas de respiradores, monitores, vinte e sete tomógrafos, carrinhos de anestesia, fizemos um hospital de campanha em 25 dias salvando milhares de vidas. E ainda emprestamos equipamentos para vinte e cinco municípios vizinhos abrirem leitos de UTI".

Crivella e seu algoz Eduardo Paes foram os candidatos com mais tempo de campanha na televisão, passando dos dois minutos. Paes (DEM), na luta pela volta ao cargo, lembrou sua administração, incentivou eleitores a pedir votos e destacou sua integridade como ficha limpa. Paes ressaltou que a eleição municipal é importante porque "a cidade não suporta mais um Crivella ou um (governador afastado Wilson) Witzel. Chega de pessoas despreparadas e de farsantes. Não dá mais para arriscar".

Paes também afirmou que as denúncias que o ligaram ao ex-governador Sergio Cabral e à empreiteira Odebrecht são apenas jogo político e que ele venceu na Justiça todos os processos. "Nunca cometi qualquer ilegalidade na Prefeitura do Rio. Não enriqueci na política", disse, lembrando que existe corrupção "na política, na política e até nas igrejas", mas destacou que "ninguém deve ser condenado pelas pessoas só porque foi amigo ou colega de trabalho de quem se sujou". Ao final da inserção, a maior de todos os candidatos com 2 minutos e 5 segundos (apenas três segundos a mais do que a de Crivella), Paes fez mais uma dura crítica ao principal adversário: "Vamos botar pra funcionar tudo o que foi abandonado pelo Crivella".

Com tempo girando entre 1m15 e 1m40, as campanhas de Martha Rocha (PDT), Luiz Lima (PSL) e Benedita da Silva (PT) destacaram outros temas. Martha preferiu focar em sua biografia, falando que era "fruto da escola pública", "suburbana com muito orgulho" e filha de imigrantes de "portugueses donos de padaria", tendo chegado ao cargo de chefe da Polícia Civil.

Benedita dividiu o espaço com a candidata a vice-prefeita, enfermeira Rejane, e afirmou ser preciso melhorar a a assistência básica e a rede do Sistema Único de Saúde (SUS). As candidatas criticaram o modelo de marcação de consultas e cirurgias pelo Sistema de Regulação (Sisreg) e denunciaram haver 300 mil pessoas na fila, com problemas de fiscalização.

Luiz destacou seu relacionamento de lealdade com o presidente Jair Bolsonaro, seu histórico de atleta olímpico na natação e disse ter se norteado desde o começo da vida pública por "honestidade, lealdade e muita disciplina". "Não aceito a nossa cidade mergulhada em denúncias e em corrupção", contou, se dizendo "carioca raiz".

Paulo Messina (MDB) teve 43 segundos. Destacou que não veio de família rica, e se apresentou como alguém que "conhece os dramas do nosso povo". Além de ser pais de dois gêmeos com autismo, alunos de escola pública. "Os dois últimos prefeitos não trabalharam para nós, não têm filhos nas nossas escolas e não usam nossos serviços públicos", afirmou. Renata Souza (Psol) teve 16 segundos e recordou que trabalhou com o deputado Marcelo Freixo (que participou do programa) e com Marielle Franco, vereadora assassinada em março de 2018. "Enfrentei e derrotei o governador Witzel, impedi o impeachment do Crivella", disse.

Fred Luz (Novo), Clarissa Garotinho (PROS) e Glória Heloiza (PSC) tiveram 14 segundos cada. Fred afirmou que não usa dinheiro público para fazer campanha. "Estou cansado de fazer política desse jeito. Vamos, juntos, recuperar o Rio", contou. A filha do casal Garotinho respondeu à frase: "Clarissa Garotinho candidata à prefeita do Rio? Que loucura". "Loucura é continuar votando com o que está aí e achar que o resultado vai ser diferente", disse. Já Glória apresentou um vídeo com fotos e uma narração com as perguntas: "Quem é Glória? De onde ela veio? Quem é Glória? De onde ela vem? Quem é Glória? Por que ela vem?", seguida pela afirmação "Glória chegou".

ORDEM DECRESCENTE DO TEMPO DE TV DE CADA CANDIDATO:

Eduardo Paes - 2 minutos e 5 segundos
Marcelo Crivella - 2 minutos e 2 segundos
Luiz Lima - 1 minuto e 40 segundos
Benedita da Silva - 1 minuto e 15 segundos
Martha Rocha - 1 minuto e 11 segundos
Paulo Messina - 43 segundos
Renata Souza - 16 segundos
Fred Luz - 14 segundos
Clarissa Garotinho - 14 segundos
Glória Heloiza - 14 segundos

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Crivella direcionou suas críticas aos seus antecessores na prefeitura Marcos de Paula / Prefeitura do Rio
Eleições 2020: 117 municípios terão candidato único a prefeito Agência Brasil

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