Candidato Eduardo Paes visitou o Parque Madureira na última quinta-feira - Estefan Radovicz / Agencia O Dia
Candidato Eduardo Paes visitou o Parque Madureira na última quinta-feiraEstefan Radovicz / Agencia O Dia
Por MARTHA IMENES
Às vésperas de deixar o Palácio da Cidade em 2016, o então prefeito Eduardo Paes, já estava sob "fogo cerrado", e olha que ele nem poderia tentar o terceiro mandato! A legislação não permite. Seu principal adversário? O bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcelo Crivella, que não queria perder a disputa para Pedro Paulo, candidato apoiado por Paes. Pedro Paulo não levou a disputa, o bispo se deu bem. Mesmo com tantas adversidades, Paes saiu da prefeitura com uma aprovação ótima/boa por 30% dos entrevistados pelo Datafolha e 39% como regular.

O jogo virou e agora Paes tem 70% das intenções de votos válidos contra 30% de Crivella. Mas por que essa mudança? Grande parte desse percentual é do próprio bispo, que não cumpriu o que prometeu e se embrenhou pela cartilha das fake news e a popularidade e gestão de Paes. Para se ter uma ideia, de 60 propostas do plano de governo de 2012, Eduardo Paes deixou de cumprir 5.

Enquanto os números do seu adversário mostram que das 60 propostas organizadas em 50 tópicos, Crivella chegou ao fim do mandato com apenas 11 promessas cumpridas – 82% não deixaram o papel.
"Nós realizamos diversas ações ao longo de suas duas gestões baseadas em um planejamento estratégico que abrangia todas as áreas de governo. O grande número de realizações demonstra que a cidade cresceu e se modernizou nesse período e avançamos muito no atendimento à população", disse Paes.
Fato: gostando ou não da gestão Paes ele imprimiu sua marca na cidade com a Orla Conde, Boulevard Olímpico, as arenas, o BRT, que foi abandonado e depredado na gestão atual. "Faltou fiscalização por parte da prefeitura", afirmou Paes.
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Do contra a favor
A situação no Rio é tão inusitada que a página do Facebook Fora Eduardo Paes declarou apoio no segundo turno da eleição carioca a... Eduardo Paes.
"Declaramos apoio neste segundo turno ao Eduardo Paes 25! #TodosContraCrivella", publicou a página, com 27 mil seguidores.
E até mesmo adversários políticos de longa data, como o Psol, de Marcelo Freixo, declarou recomendação de voto à Paes. "Não temos acordo algum, não haverá nenhuma troca, nenhum cargo,nós queremos o Crivella fora da prefeitura", advertiu Marcelo Freixo, deputado federal da legenda. "E seremos oposição a Paes", finalizou.

De 60 planos, 5 não foram cumpridos
Das cinco propostas ditas não cumpridas pela gestão Eduardo Paes, grande parte não foi realizada na integralidade, o que não quer dizer que não tenham sido feitas. E mesmo assim fazem parte do programa de governo.

Mas nem tudo foram flores, a gestão de Paes também teve momentos ruins, como a queda da ciclovia Tim Maia, por exemplo. A tragédia ocorreu em 21 de abril de 2016, a poucas semanas da abertura dos Jogos Olímpicos, um dos chamados "legados olímpicos", a ciclovia Tim Maia que ligava o Leblon ao São Conrado pela Niemeyer, caiu e causou a morte de duas pessoas.

O VLT está longe de ser o pior momento de Eduardo Paes, também não foi o melhor, mas ficou como marca de seu governo. Virou quase um ponto turístico da cidade e facilitou o transporte ao integrar os modais, por outro lado, não há integração tarifária. Uma coisa pra se rever caso eleito, certo?

O 1746 facilitou o acesso dos cariocas aos serviços públicos. Algumas vezes o serviço demora a ser realizado ou surgem obstáculos na hora de resolver o problema, mas o 1746 é um canal importante onde o cidadão pode fazer solicitações e ter contato com a prefeitura. No entanto, nem sempre funciona como deveria. Taí uma dica para o novo prefeito "consertar".

Inaugurado no último dia de 2010, o Centro de Operações Rio, o COR, integra cerca de 30 órgãos municipais e concessionárias com o objetivo de monitorar e otimizar o funcionamento da cidade. Virou um verdadeiro QG da prefeitura, ajudando a antecipar crises, tornando o Rio uma cidade mais inteligente.

A TransOlímpica, oficialmente Corredor Presidente Tancredo Neves, a via expressa liga o Recreio a Deodoro acabou tendo impacto positivo na vida dos moradores do seu entorno. Assim como a Linha Amarela ajudou no ganho de tempo de quem mora em Deodoro e vizinhança e trabalha na Barra. A TransOeste, que liga Recreio a Campo Grande, também teve um impacto positivo na vida de quem depende dela. E a TransBrasil, que corta a Avenida (ziquizira) Brasil, continua a passos lentos e atrapalhando a vida de quem precisa trafegar por ali.

Obras que impactaram a vida de moradores
Inaugurado ainda no final do primeiro mandato de Eduardo Paes, em 2012, com uma ampliação em 2015, o Parque Madureira valorizou o bairro do qual leva o nome. Com suas quadras esportivas, incluindo bocha e skate, ciclovias bosque, riacho, uma lan house pública e a Praça do Samba com o símbolo da Portela e do Império Serrano, o Parque Madureira tem 450 mil m², e é, sem dúvida, um dos melhores momentos da gestão Paes.

A região é circundada por locais que agregam pessoas de baixo poder aquisitivo e que não tinham opção de lazer. Sem contar que - a repórter que vos escreve morou por muitos anos em Madureira -, é quente que só um forno elétrico ligado! Hoje a população encontra no Parque Madureira o local para ouvir música, "tomar uma fresca", beber sua gelada e ver as crianças brincarem. Parece até poesia, mas é Madureira...

Já o Boulevard Olímpico, que são todos os equipamentos que estão no local que foi realizado a grande Fan Fest na Rio 2016, vai da Praça XV até os galpões modernizados do porto, incluindo o mural do Kobra, passando pelo AquaRio, o Museu do Amanhã, o MAR e tantas outras obras que criaram um novo ponto turístico na cidade, até hoje são visitados por moradores e pelo pessoal que vem de fora. Uma dica: pare perto do Museu do Amanhã e contemple o moderno edifício RB1 e o antigo prédio da Rádio Nacional. É a cara do Rio!