O taxista Luiz Tibúrcio da Silva Junior se vestiu da entidade africana em tom de protesto - Luciano Belford
O taxista Luiz Tibúrcio da Silva Junior se vestiu da entidade africana em tom de protestoLuciano Belford
Por Aline Cavalcanti
Rio - As declarações do candidato à reeleição para prefeito do Rio, Marcelo Crivella, de que o candidato Eduardo Paes estava ansioso para usar seus chapéus do Zé Pelintra, uma entidade de matriz africana incorporada em terreiros de Umbanda, fez com que o eleitor usasse a criatividade para votar neste domingo. O acessório que gerou discussão é conhecido como chapéu Panamá, fabricado com a palha da planta Carludovica palmata.  

Na seção eleitoral onde o atual prefeito vota, na Escola Municipal Sérgio Buarque de Holanda, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, o taxista Luiz Tibúrcio da Silva Junior, 54, foi irreverente ao local. Ele aproveitou o momento, e o calor é claro, para usar um chapéu de Zé Pelintra, ao deixar um passageiro. A referência foi uma forma de protesto a declaração de Crivella no último debate, na sexta-feira (27).

O atual prefeito disse que seu rival Eduardo Paes (DEM) não via a hora de colocar o "chapéu de Zé Pelintra" e ir desfilar no Carnaval. O comentário não passou despercebido e Crivella foi criticado.

"Como carioca me senti desrespeitado com a declaração do atual prefeito. Ele fez um governo ruim e ainda falou de forma preconceituosa da religião. Hoje eu vou votar devidamente vestido", afirmou o morador de Madureira, na Zona Norte.

O prefeito Crivella estava previsto para votar às 8h deste domingo, mas o candidato a reeleição ainda não compareceu.
A irreverencia dos eleitores também foi vista em outras seções eleitorais.  No Gávea Golf Club, na Zona Sul, local de votação de Eduardo Paes, algumas pessoas aproveitaram a polêmica e votaram usando o acessório citado por Crivella.