Seguindo a Lei Eleitoral, foram convidados os candidatos de partidos com representação no Congresso Nacional de, no mínimo, cinco parlamentaresMarcos Serra Lima / G1

O último debate do primeiro turno entre os candidatos ao governo do Rio de Janeiro foi marcado por acusações de corrupção contra o atual governador Cláudio Castro (PL) e ataques a Marcelo Freixo (PSB). Além de farpas entre os dois primeiros colocados nas pesquisas. Foram abordados temas como: segurança pública, saúde, educação, transporte, economia e corrupção. O programa foi mediado pela jornalista Ana Paula Araújo e teve a duração de 2h10 minutos.
Seguindo a Lei Eleitoral, foram convidados os candidatos de partidos com representação no Congresso Nacional de, no mínimo, cinco parlamentares, e sem impedimento na Justiça, seja eleitoral ou comum, participam do evento os candidatos Cláudio Castro (PL), Marcelo Freixo (PSB), Paulo Ganime (NOVO) e Rodrigo Neves (PDT).
Dividido em quatro blocos, a ordem do debate foi previamente definida por sorteio na presença dos assessores dos postulantes.
No primeiro bloco, em que os candidatos fizeram perguntas livres entre si, Cláudio Castro iniciou perguntando para Rodrigo Neves sobre desenvolvimento econômico e mostrando dados sobre o avanço do Rio durante seu governo. Em resposta, Neves assumiu compromissos e afirmou que Castro não tem sido honesto no debate. "A gente tem a propaganda do Cláudio Castro, muito bem produzida, mas essa não é a realidade do Rio. Todo mundo tem um parente ou amigo desempregado. Essa ilha da fantasia que o governador tenta pintar em sua campanha não é a realidade", complementou.
Dando continuidade, o pedetista fez a próxima pergunta para Freixo sobre financiamentos de sua campanha. E questiona: "Quem você vai trair primeiro, seus novos amigos banqueiros ou seus antigos eleitores?". Em resposta, o postulante do PSB declarou que "conseguiu uma união ampla, com pessoas comprometidas, para colocar o Rio de Janeiro de pé".
Como estratégia, para tentar unir-se com o deputado federal em atacar Cláudio Castro, o pesebista perguntou o posicionamento do candidato do Novo sobre assuntos polêmicos como "o escândalo da mochila e dos cargos da Ceperj". Paulo Ganime afirmou que "a corrupção mata" e explorou a aliança de Freixo com seu marqueteiro de campanha, Renato Pereira, que delatou à Lava-Jato caixa dois em campanhas do MDB fluminense, e pela aliança com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Ele está ligado a alguém que foi condenado no maior esquema de corrupção do Brasil. Estou falando muito bem, muito claramente do ex-presidente, ex-presidiário, Lula da Silva. Não dá pra falar de ética e moral ligado a tudo isso", comentou.
Com temas determinados previamente, o segundo bloco teve temas como combate ao desemprego, recuperação fiscal e meio ambiente. Além de corrupção que seguiu sendo o assunto mais recorrente, principalmente com acusações contra o governo atual.
Ganime questionou a transparência de seu adversário. Em sua defesa, o chefe do Executivo fluminense pediu para que as pessoas "deixem que a justiça cuide disso", se referindo a Allan Turnowski, secretário de Polícia Civil acusado de organização criminosa e envolvimento com o jogo do bicho e a Raphael Montenegro, que comandava a Administração Penitenciária e teria negociado com uma facção criminosa. Castro garantiu: "Não há governo com mais credibilidade que o nosso. Fomos nós quem fizemos a maior concessão de saneamento da história do Brasil. Só quem é honesto tem credibilidade".
No decorrer do debate, Castro acusou Freixo de fazer a "campanha mais suja da história do Rio de Janeiro", além de criticar os posicionamentos recentes do adversário. Enquanto Freixo apontou supostos envolvimentos de Castro com esquemas de corrupção. "Ele teria recebido 20 mil dólares para passear na Disney. Ele visita, mas não explica. Ainda tem um inquérito de fraudes na saúde. O mesmo que tirou Witzel do poder. A corrupção mata", alegou.
Por causa do sistema de sorteios, o candidato Freixo só conseguiu fazer a primeira pergunta direta para Castro após a meia-noite, no último bloco. Momento em que o atual governador e o candidato pelo PSB protagonizaram um embate, em torno do tema da segurança pública e o combate às milícias, cheio de réplicas e inúmeros pedidos de direitos de resposta entre os dois adversários. Em certo momento, Freixo comparou Castro a Sérgio Cabral, ex-governador do Rio que soma mais de 400 anos de prisão com 22 condenações e mais 11 ações em que responde como réu. "Eu fui o primeiro a denunciar Sérgio Cabral e o tempo mostrou que estávamos do lado certo. Espero que o destino de Cláudio não seja o mesmo porque as semelhanças são grandes", comentou o postulante.
Rodrigo Neves aproveitou o debate para apresentar suas propostas e criticar a polarização durante o debate e as eleições. “Eu fico perplexo quando vejo aqui essa briga do Cláudio Castro e Freixo diante dessa realidade dramática onde as pessoas esperavam aqui nesse debate apresentação de soluções”, declarou.
No bloco final, cada candidato também teve a oportunidade de fazer considerações sobre suas propostas de governo na tentativa de convencer o eleitorado que vai às urnas no dia 2 de outubro. Ganime aproveitou para apresentar-se e frisar que "quer muito mudar o Rio de Janeiro". Freixo agradeceu e declarou que “vale a pena ser honesto” e defendeu seu vice Cesar Maia, pedindo consciência para quando as pessoas forem votar. Rodrigo Neves afirmou que "a necessidade de mudança é urgente" e comentou a experiência que tem em Niterói. E Cláudio Castro seguiu com sua proposta e defendeu seu atual governo afirmando que o Rio “voltou a crescer” e finalizou pedindo votos para Jair Bolsonaro.