Rio - Os moradores de São Gonçalo, na região Metropolitana, usaram as redes sociais para denunciar a falta de transporte público neste domingo (30), dia do segundo turno das eleições presidenciais. De acordo com relatos publicados no Twitter, internautas compartilharam que estão indo a pé para os colégios eleitorais devido a falta de ônibus. As reclamações se concentram principalmente na região do Complexo do Salgueiro.
"Absurdo! Os eleitores de São Gonçalo estão indo votar a pé. Motivo: A Prefeitura suspendeu transporte público dentro do Complexo do Salgueiro", escreveu o usuário Lázaro Rosa, no Twitter.
"Em São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do Rio, os mais pobres estão sendo impedidos de votar. A prefeitura retirou todos os ônibus do Complexo do Salgueiro. Episódios semelhantes tão se repetindo pelo país inteiro. É supressão de voto, é golpe, é crime", comentou Lana de Holanda.
"Em São Gonçalo não circula ônibus, mais especificamente no Complexo do Salgueiro. Fiscalizem!!!", twiitou o usuário @Sally_Wonka.
O prefeito de São Gonçalo, Nelson Ruas, também conhecido como Capitão Nelson, apoia a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, o que tem sido usado como argumento pelos internautas para o "sumiço" dos coletivos.
A reportagem do DIA entrou em contato com a Prefeitura de São Gonçalo para saber se a frota do município está circulando de maneira completa ou se foi reduzida. Em nota, eles informaram que a frota de ônibus municipais está circulando normalmente em todo o município. "Vale destacar que a prefeitura de São Gonçalo apenas fiscaliza o transporte público no município, visto que operam através de concessão. A secretaria irá intensificar a fiscalização do fluxo dos coletivos ao longo do dia", frisaram.
Já o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) informou que entrou em contato com a Procuradoria do Município de São Gonçalo após receber a informação da dificuldade de eleitores para utilizar o transporte público no município. O órgão, pertencente à estrutura da Prefeitura de São Gonçalo, informou não ter recebido questionamentos deste tipo, seja pela Secretaria Municipal de Segurança, seja pela de Transportes. O consórcio que opera o serviço de transporte de ônibus rodoviários em São Gonçalo informou que o serviço está normal.
Acionada pelo TRE-RJ, a inteligência da Polícia Militar destacou agentes para verificar ocorrências deste tipo no local e não identificou qualquer irregularidade. O Tribunal monitora a situação do município.
Sem passe livre
Em direção oposta aos prefeitos do Rio e de Niterói, Eduardo Paes (PSD) e Axel Grael (PDT), o prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), não deu gratuidade nos ônibus para os eleitores durante a votação para o segundo turno. A justificativa dada foi que "assim como no primeiro turno, não haverá nenhum subsídio de passagens, visto que o Executivo apenas fiscaliza o transporte público na cidade, pois é feito através de uma concessão".
O pedido para que a prefeitura garantisse gratuidade no segundo turno foi feito pelo vereador Romario Regis (PDT). Segundo ele, o passe-livre para os gonçalenses seria uma garantia do acesso à cidadania, evitando, dessa forma, o alto índice de abstenção que historicamente ocorre no segundo turno.
Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou a decisão para autorizar prefeituras e empresas de ônibus a oferecerem transporte público gratuito no segundo turno das eleições, considerando que a medida não configura ato de improbidade administrativa ou crime eleitoral.
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